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22 de setembro de 2026

Caso Master

Mensagens de Vorcaro citam desembargador em pedidos atribuídos a Nunes Marques

Conversas encontradas no celular do ex-controlador do Banco Master registram tratativas envolvendo hospedagens e eventos; ministro Kassio Nunes Marques nega ter solicitado favores ou mantido contato com o banqueiro

Por Ana Beatriz Ramos

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram conversas envolvendo o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e pedidos atribuídos ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nas conversas, Newton e pessoas próximas a ele aparecem identificados por assessores de Vorcaro como integrantes da chamada “Turma do KN”, expressão que, segundo as reportagens que tiveram acesso ao material, faria referência às iniciais de Kassio Nunes Marques.

Entre os episódios registrados estão tratativas relacionadas a hospedagem em hotel de luxo, acesso a camarotes e participação em eventos.

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Nunes Marques afirma que nunca manteve contato com Vorcaro e nega ter solicitado benefícios ao banqueiro.

Mensagem menciona hospedagem no Fasano

Uma das conversas analisadas envolve uma diária no hotel Fasano, em São Paulo.

Em maio de 2025, uma mensagem encaminhada a Vorcaro atribuía a Newton Ramos um pedido relacionado à obtenção de uma tarifa promocional no hotel para Nunes Marques.

Após receber a informação, Vorcaro autorizou que a hospedagem fosse colocada em sua conta, segundo as mensagens divulgadas pela imprensa.

Outros diálogos encontrados no aparelho registram tratativas relacionadas a reservas no mesmo hotel e pagamentos que poderiam ser faturados para uma empresa ligada ao banqueiro.

As mensagens, por si só, não demonstram que Nunes Marques tenha solicitado diretamente a Vorcaro o pagamento da hospedagem. O ministro contesta essa interpretação e nega ter autorizado terceiros a fazer pedidos em seu nome.

Conversas também mencionam eventos e camarotes

O material encontrado no celular de Vorcaro contém outras referências a pedidos envolvendo Newton Ramos e pessoas identificadas como integrantes da “Turma do KN”.

Entre os episódios aparecem ingressos para Fórmula 1, eventos no hotel Rosewood, camarotes durante o Carnaval do Rio de Janeiro e outras hospedagens.

Em uma das mensagens de fevereiro de 2025, um assessor de Vorcaro perguntou ao banqueiro se poderia incluir seis nomes enviados pela “turma do KN/Newton” na lista de um camarote.

Outras conversas registram pedidos semelhantes envolvendo eventos e viagens.

Escritório da mulher de desembargador tinha contrato com o Master

As mensagens ganharam relevância também por causa da relação profissional entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Camilla Ramos, mulher de Newton Ramos.

Documentos encontrados no material analisado pela Polícia Federal mostram que o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia foi contratado para atuar em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro.

O contrato estabelecia honorários de êxito equivalentes a 5% dos valores obtidos pelo banco em 12 processos.

Uma planilha encontrada no celular de Vorcaro estimava em aproximadamente R$ 8,5 bilhões o valor dos créditos relacionados às ações.

Caso todo o montante fosse obtido e as condições contratuais fossem cumpridas, os honorários poderiam alcançar aproximadamente R$ 427 milhões.

Advogada acompanhava julgamento no Supremo

As mensagens também indicam que Camilla Ramos acompanhava decisões judiciais relacionadas à controvérsia envolvendo os precatórios.

Em junho de 2025, ela enviou uma mensagem a Vorcaro comentando de forma positiva um voto de Nunes Marques em julgamento no STF que poderia repercutir nas ações relacionadas aos créditos.

O julgamento tratava de uma tese jurídica mais ampla sobre precatórios, e não de uma ação apresentada diretamente pelo Banco Master.

Nunes Marques sustenta que seu posicionamento não teve como objetivo beneficiar a instituição financeira.

Nunes Marques nega favorecimento

O ministro Kassio Nunes Marques rejeita qualquer interpretação de que tenha atuado para favorecer Daniel Vorcaro ou o Banco Master.

Segundo sua versão, ele nunca trocou mensagens com o banqueiro e não solicitou benefícios ou pagamentos.

O ministro também afirma que não autorizou terceiros a realizar pedidos em seu nome.

Sobre o julgamento envolvendo os precatórios, Nunes Marques argumenta que a discussão tratava de uma tese jurídica ampla, potencialmente aplicável a diferentes empresas, e não especificamente ao Banco Master.

Ele afirma ainda que nunca votou diretamente a favor da instituição financeira.

Newton Ramos fala em relação pessoal com Vorcaro

Newton Ramos também se manifestou sobre sua relação com Daniel Vorcaro.

O desembargador reconheceu que mantinha uma relação pessoal com o empresário, mas afirmou que esse contato não estava relacionado à sua atuação como magistrado.

Segundo ele, sua esposa prestava serviços profissionais ao Banco Master por meio do escritório de advocacia.

Newton nega ter utilizado sua função no Judiciário para influenciar decisões de interesse do banco.

Material faz parte dos arquivos enviados ao STF

As mensagens fazem parte do conjunto de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal.

O conteúdo foi encaminhado ao Supremo no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

O material reúne grande quantidade de mensagens, documentos e arquivos que passaram a ser analisados por diferentes gabinetes da Corte.

A existência das conversas e dos contratos não representa, por si só, conclusão de que Nunes Marques, Newton Ramos ou Camilla Ramos tenham cometido irregularidades.

As circunstâncias dos pedidos, dos pagamentos mencionados e das relações profissionais registradas nos arquivos estão entre os pontos que vêm sendo examinados a partir do material obtido pela investigação.

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