Educação
Paraná lidera Pisa ajustado por renda; 21 estados ficam abaixo do esperado em matemática
Análise que considera nível socioeconômico mostra que maioria das unidades da federação não alcança desempenho compatível com sua realidade
O Paraná foi o único estado brasileiro a superar as expectativas nas três disciplinas avaliadas pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) quando o desempenho é ajustado pelo nível socioeconômico dos estudantes. A análise, realizada pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), revela que 20 estados e o Distrito Federal ficaram abaixo do esperado em matemática, a disciplina com pior resultado relativo.
O ajuste considera fatores como escolaridade dos pais, status profissional da família e recursos disponíveis em casa, incluindo acesso a livros e internet. A metodologia permite identificar quais estados conseguem converter suas condições socioeconômicas em aprendizagem efetiva e quais ficam aquém do potencial.
Matemática concentra maiores dificuldades
Em matemática, 21 das 27 unidades da federação apresentaram notas inferiores ao que seria esperado considerando seu contexto. O Paraná liderou com 15 pontos acima da expectativa, seguido por Ceará (10,5 pontos acima), Minas Gerais e Piauí, que também superaram as projeções.
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No extremo oposto, Roraima registrou o pior desempenho relativo do país, ficando 50,2 pontos abaixo do esperado. Estados da região Norte concentram as maiores diferenças negativas: além de Roraima, Tocantins, Amapá e Amazonas aparecem entre os cinco piores resultados ajustados.
São Paulo, apesar de liderar os rankings absolutos com 403,8 pontos em matemática, apresentou desempenho praticamente igual ao esperado quando ajustado pelo contexto socioeconômico: apenas 2,3 pontos acima da projeção, a menor margem positiva entre os cinco estados que superaram a expectativa.
Ceará e estados nordestinos desafiam expectativas
Unidades nordestinas como Ceará e Piauí destacam-se por superar consistentemente as expectativas nas três áreas avaliadas. O Ceará obteve 363,3 pontos em matemática — pontuação baixa em termos absolutos, mas a segunda melhor do país quando o nível socioeconômico é considerado.
O resultado contrasta com estados de maior PIB. O Rio de Janeiro, segunda economia do país, ficou muito abaixo do previsto. A especialista em Educação Claudia Costin, ex-diretora global de Educação do Banco Mundial, atribui o problema à falta de avanços em programas como escola em tempo integral, implementados com sucesso em Pernambuco, Paraíba e Ceará.
No Distrito Federal, 15,6% dos jovens de 15 anos têm pais ou mães que estudaram apenas até o 9º ano. No Piauí, o índice dobra: 30,5%. Essas diferenças estruturais justificam a necessidade de análises ajustadas.
Leitura é destaque positivo
Leitura foi a disciplina com melhor desempenho relativo: 24 dos 27 estados superaram a expectativa para sua realidade socioeconômica. O Paraná novamente liderou, com 59 pontos acima do esperado, seguido por Minas Gerais (52,9 pontos) e Ceará (49,7 pontos).
Apenas três estados ficaram abaixo do esperado em leitura: Roraima, Tocantins e Mato Grosso. Este último teve a menor diferença negativa entre todas as disciplinas analisadas: apenas 1,0 ponto, praticamente dentro do esperado.
Ciências e a importância do contexto
Em ciências, o Paraná manteve a liderança entre os estados que superaram as expectativas. A análise considera que a situação ocupacional dos responsáveis importa não apenas pela renda, mas porque ocupações mais estáveis significam maior previsibilidade na rotina familiar e menor necessidade de crianças e adolescentes assumirem trabalho ou responsabilidades domésticas.
Segundo especialistas, quando um estado apresenta desempenho melhor que o projetado, isso pode indicar que sua política educacional está conseguindo reduzir parte do peso das desigualdades. Quando fica abaixo do esperado, sugere que as condições e capacidades existentes não estão sendo convertidas em aprendizagem.
O Pisa é uma avaliação internacional de matemática, leitura e ciências organizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), focada em jovens de 15 anos de escolas públicas e particulares. A edição mais recente contou com participação de 91 países.
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