Eleições 2026
Lula e Flávio empatados tecnicamente disputam voto útil na reta final
Pesquisa mostra presidente com 47% e senador com 45% em cenário de segundo turno; campanhas apostam na rejeição ao adversário para atrair eleitores indecisos
A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) está tecnicamente empatada a uma semana do primeiro turno. Levantamento do Datafolha divulgado nesta quinta-feira (24) mostra o presidente com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 45% do senador, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A pesquisa, que ouviu 2.002 eleitores entre os dias 22 e 23 de setembro, revela um cenário apertado também quando se analisa diferentes perfis do eleitorado brasileiro. O levantamento tem nível de confiança de 95% e está registrado no TSE sob o número BR-00304/2026.
Vantagens regionais e demográficas
O presidente mantém vantagem mais expressiva no Nordeste, onde registra 61% contra 30% do adversário, uma diferença de 31 pontos percentuais. Entre eleitores pretos, Lula tem 55% frente a 34% de Flávio, e entre aqueles com ensino fundamental, a vantagem é de 57% a 37%.
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Já o senador do PL lidera com folga entre evangélicos, com 58% contra 34%, e no Sul do país, onde marca 57% ante 38% do petista. Entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, Flávio tem 52% contra 38% de Lula.
Entre as mulheres, o presidente aparece com 51% frente a 41% do concorrente. Em praticamente todas as faixas etárias, a disputa está dentro da margem de erro, configurando empate técnico.
Estratégia do voto útil
Com o cenário apertado, ambas as campanhas intensificam o apelo ao voto útil na última semana antes da eleição de 4 de outubro. A estratégia consiste em atrair eleitores que não veem em nenhum dos dois seu candidato ideal, mas que rejeitam fortemente o adversário.
A campanha petista planeja ampliar a comparação entre os dois candidatos e reforçar questionamentos sobre Flávio, retomando investigações que envolvem o senador. A orientação é apresentar a eleição como escolha entre manter programas sociais ou arriscar perdê-los.
Do lado do PL, a aposta é no sentimento antipetista do eleitorado de direita. Em live realizada na quarta-feira (23), Flávio pediu humildemente o voto de confiança já no primeiro turno, afirmando ser o único candidato da oposição com condições de vencer Lula.
Estrategistas do senador miram especialmente os eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que poderiam optar pelo voto útil antes de um eventual segundo turno. A avaliação é que a migração desses votos pode ser decisiva.
Embora as pesquisas indiquem baixa probabilidade de vitória no primeiro turno, ambas as campanhas insistem nessa possibilidade para atrair votos de outros candidatos. Mesmo que a disputa vá para segundo turno, sair à frente no domingo pode dar impulso político e fortalecer negociações por apoios na etapa seguinte.
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