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30 de setembro de 2026

Eleições 2026

Tarcísio e Haddad trocam críticas sobre segurança e privatizações em último debate

Candidatos ao governo paulista nacionalizaram embate citando Lula e Bolsonaro, discutiram combate ao crime organizado e divergiram sobre política de concessões no estado

Por Anna Luiza Bastos Atualizado às 08:11
Tarcísio e Haddad trocam críticas sobre segurança e privatizações em último debate

O último debate entre os candidatos ao governo de São Paulo antes do primeiro turno terminou com uma série de ataques entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT). Transmitido pela TV Globo na noite de terça-feira (29), o confronto foi dividido em quatro blocos e, embora tratasse de questões estaduais, foi marcado por referências à disputa presidencial, a Lula, Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.

Os candidatos também trocaram acusações sobre segurança pública, alianças políticas, situação fiscal, saúde, transporte, privatizações e resultados na educação.

Segurança abriu o debate

Haddad escolheu a segurança pública para iniciar o confronto e questionou Tarcísio sobre relatos de atuação do Comando Vermelho no interior e no litoral paulista. O petista também ironizou a ausência do governador em confrontos anteriores.

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Tarcísio respondeu destacando operações realizadas contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), ações policiais e medidas adotadas na região da Cracolândia. O governador afirmou que criminosos envolvidos em atividades criminosas foram presos e defendeu a continuidade das operações.

Haddad contestou a atuação do governo estadual e falou em problemas na estrutura das forças policiais. Tarcísio reconheceu a existência de dificuldades e citou concursos para ampliar os efetivos.

A discussão passou então para as alianças políticas dos dois candidatos. Haddad mencionou o ex-vereador Milton Leite, enquanto Tarcísio citou o vereador Senival Moura e a presença da lobista Roberta Luchsinger em um evento ligado ao petista. Os dois também reivindicaram participação nas ações de combate ao crime organizado relacionadas à Operação Carbono Oculto.

Saúde vira disputa sobre filas e gestões anteriores

Na sequência, os candidatos discutiram o atendimento na rede pública de saúde. Haddad criticou as filas e questionou o funcionamento do CROSS, sistema estadual de regulação de vagas e procedimentos.

Tarcísio respondeu citando a abertura de leitos e a ampliação da realização de cirurgias eletivas, além de ações na Baixada Santista.

O debate também voltou ao período da pandemia. Haddad criticou a condução da saúde durante o governo de Jair Bolsonaro, enquanto Tarcísio questionou os resultados da administração de Haddad quando ele foi prefeito de São Paulo.

Contas públicas levam disputa para o cenário nacional

No segundo bloco, a discussão sobre incentivos fiscais e equilíbrio das contas públicas levou novamente os candidatos a abordar temas nacionais.

Haddad questionou Tarcísio sobre uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado relacionada à transparência dos benefícios fiscais concedidos a empresas. O governador afirmou que sua gestão revisou benefícios considerados inadequados e citou a Nota Fiscal Paulista.

Na discussão fiscal, Tarcísio mencionou empresas em recuperação judicial, como Casas Bahia, Marabraz e Habib’s, para defender a necessidade de controle das despesas. Haddad respondeu citando o pagamento de precatórios pelo governo federal e os efeitos dos juros.

O petista também questionou se Tarcísio pretendia adotar em São Paulo uma política semelhante à do presidente argentino Javier Milei. O governador defendeu o modelo de ajuste fiscal adotado na Argentina e criticou o governo federal pelo cumprimento do arcabouço fiscal.

Transporte e privatizações dividem candidatos

No terceiro bloco, Tarcísio questionou Haddad sobre o transporte metropolitano e citou obras e expansões do metrô e dos trens.

Haddad respondeu que parte dos projetos recebeu financiamento federal e defendeu a integração tarifária entre diferentes regiões da Grande São Paulo.

As privatizações também provocaram divergências. Haddad criticou o que chamou de processo “desenfreado” e questionou os efeitos das concessões sobre os serviços públicos. Tarcísio defendeu as desestatizações como uma forma de melhorar a prestação dos serviços.

Educação tem momento de confronto sobre selo do MEC

A educação foi outro ponto de divergência. Haddad questionou indicadores do ensino paulista e citou problemas na região de Campinas. Tarcísio destacou programas de alfabetização, reforço em Matemática e resultados do estado em avaliações internacionais.

O momento de maior repercussão ocorreu quando o governador mencionou o Selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, concedido pelo Ministério da Educação. Haddad afirmou não conhecer o reconhecimento.

O programa do MEC reconhece estados e municípios de acordo com critérios relacionados às políticas de alfabetização na idade certa.

Sabesp e resiliência hídrica encerram confronto

No último bloco, Tarcísio escolheu discutir resiliência hídrica. O governador apresentou medidas relacionadas à prevenção de eventos climáticos, desassoreamento de rios e fortalecimento da Defesa Civil.

Haddad aproveitou o tema para criticar a privatização da Sabesp e citou um alerta da companhia relacionado ao consumo de água na Baixada Santista durante episódios de chuva.

Tarcísio defendeu os investimentos realizados pela empresa e questionou como avançar na despoluição do rio Tietê sem ampliar o saneamento básico. Haddad também mencionou ocorrências relacionadas a obras da Sabesp, enquanto o governador afirmou que lamentava as mortes e voltou a defender os investimentos realizados.

A checagem posterior do debate apontou que os dois candidatos fizeram afirmações que exigem contexto. Entre os exemplos, estão a declaração de Tarcísio sobre o fim da Cracolândia, informações sobre a situação fiscal paulista e dados relacionados à Sabesp. Haddad também apresentou afirmações que foram consideradas imprecisas pela checagem, como a evolução da poluição do rio Tietê.

Eleição acontece no domingo

Nas considerações finais, os dois candidatos reforçaram suas propostas para São Paulo e voltaram a mencionar seus respectivos grupos políticos no cenário nacional.

O confronto foi o último debate entre Tarcísio e Haddad antes da votação. O primeiro turno das eleições para o governo de São Paulo acontece neste domingo (4).

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