Eleições 2026
Marília Campos cobra punições no caso Banco Master e defende código de conduta
Candidata do PT ao Senado por Minas Gerais endurece discurso sobre crise no STF após críticas de Nikolas Ferreira, mas evita falar em impeachment de ministros
A candidata do PT ao Senado por Minas Gerais, Marília Campos, elevou nesta quarta-feira (30) o tom das críticas relacionadas à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e as investigações sobre o Banco Master. Em vídeo publicado nas redes sociais, a petista defendeu que eventuais autoridades envolvidas em irregularidades sejam responsabilizadas, independentemente do cargo que ocupem.
“Não pode ter impunidade. Todos terão de ser punidos diante desse grande esquema que aconteceu no nosso país. Pode ser ministro, pode ser deputado, qualquer liderança, porque a lei deve ser para todos e todas”, afirmou.
Marília, porém, fez uma distinção entre a apuração de possíveis irregularidades e críticas à própria existência do Supremo. Segundo ela, a Corte deve ser preservada como instituição, mas não pode deixar de responder às denúncias que estão sendo investigadas.
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“Nós não podemos falar: ‘Olha, o STF não vale para nada’. Não. Nós temos que defender o Supremo. Mas não podemos permitir que o STF se acovarde diante de todo esse grande esquema”, declarou.
Disputa pelo Senado está tecnicamente empatada
A manifestação ocorre em um momento de forte disputa pelas duas vagas de Minas Gerais no Senado. Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (29) mostra quatro candidatos dentro da margem de erro: Domingos Sávio (PL) aparece com 14%, Marília Campos (PT) tem 13%, enquanto Carlos Viana (PSD) e Aécio Neves (PSDB) registram 12% cada.
O levantamento ouviu 1.506 eleitores entre 25 e 28 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Portanto, os quatro candidatos estão tecnicamente empatados.
Nikolas Ferreira faz críticas à candidata
A posição de Marília sobre o STF também ocorre em meio aos ataques de adversários. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) tem criticado a candidatura da petista e associado sua eventual chegada ao Senado à permanência do ministro Alexandre de Moraes no Supremo.
Em manifestações nas redes sociais, Nikolas chamou Marília de “Dilma 2.0” e relacionou a candidatura da petista à atuação de Moraes. O deputado apoia as candidaturas de Domingos Sávio e Marco Antônio Superman, do Novo, na disputa pelas duas cadeiras de Minas.
A estratégia faz parte de uma campanha na qual o impeachment de ministros do STF se tornou um dos temas explorados por candidatos ao Senado. O assunto ganhou espaço nacional em meio às investigações e acusações envolvendo diferentes autoridades e personagens relacionados ao caso Banco Master.
Adversários defendem impeachment
Entre os concorrentes ao Senado em Minas, Carlos Viana e Domingos Sávio defendem o afastamento de Alexandre de Moraes e já apresentaram pedidos de impeachment contra o ministro. Marcelo Aro (PP), por sua vez, afirmou ser favorável à saída de integrantes do Supremo caso sejam comprovadas irregularidades.
Marília adotou uma posição diferente. Em vez de defender o afastamento de ministros, passou a enfatizar a necessidade de investigação, responsabilização individual e criação de mecanismos de controle para os três Poderes.
Petista propõe código de conduta
Além de defender punições para eventuais envolvidos em irregularidades, Marília afirmou que pretende trabalhar pela criação de um código de conduta aplicável aos três Poderes da República.
A candidata disse que a proposta teria como objetivo estabelecer regras de comportamento e combater privilégios no Executivo, Legislativo e Judiciário.
“Em toda a minha trajetória política de mais de 40 anos, eu sempre fui contra quaisquer privilégios, sempre fui contra que a política fosse um lugar do enriquecimento pessoal. A política tem que ser o lugar para promover o bem comum”, afirmou.
A nova manifestação ocorre após a candidata ter sido questionada sobre sua posição diante de eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF. Agora, Marília procura enfatizar a defesa da responsabilização por eventuais irregularidades, ao mesmo tempo em que mantém o discurso de preservação institucional da Corte.
O tema deve continuar presente na reta final da campanha ao Senado em Minas Gerais, onde quatro candidaturas aparecem tecnicamente empatadas na pesquisa mais recente da Quaest.
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