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30 de setembro de 2026

Caso Master

Vorcaro citou mesada de R$ 1 milhão para grupo ligado a Jaques Wagner

Ex-banqueiro do Master afirmou que pagamentos em espécie faziam parte de esquema de propina ligado ao Credcesta; senador nega qualquer vínculo com o empresário

Por Ana Beatriz Ramos Atualizado às 19:55
Vorcaro disse em delação rejeitada que aliados de Jaques Wagner recebiam R$ 1 milhão por mês

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de colaboração premiada rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que um grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em vantagens indevidas relacionadas à operação do cartão consignado Credcesta.

Segundo o relato de Vorcaro, cerca de R$ 2 milhões mensais eram movimentados por meio de um contrato entre o Banco Master e a PKL One, empresa responsável pela exploração do Credcesta. Outros R$ 1 milhão teriam sido pagos mensalmente em espécie.

Vorcaro afirmou, porém, que não participou diretamente dos supostos acertos e que tomou conhecimento deles por meio de Augusto Lima, seu ex-sócio. Lima nega as acusações.

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A proposta menciona ainda outras supostas formas de benefício, como distribuição de lucros e dividendos e contratos que Vorcaro classificou como fictícios. Entre eles, o ex-banqueiro citou um contrato envolvendo uma filha de Wagner e uma empresa no exterior ligada ao empresário João Carlos Falbo Mansur.

Os documentos apresentados, no entanto, não comprovam repasses diretos ao senador. O contrato entre Master e PKL confirma pagamentos mensais de aproximadamente R$ 2 milhões a título de despesas operacionais, mas não identifica Wagner ou outros políticos como beneficiários.

Credcesta e privatização da Ebal

O Credcesta fazia parte da operação da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal privatizada em abril de 2018.

A Ebal foi arrematada pela NGV Empreendimentos e Participações por R$ 15 milhões em leilão realizado em 11 de abril daquele ano. O negócio incluiu, além da participação acionária da estatal e das lojas da Cesta do Povo, o direito de exploração do programa Credcesta.

Na proposta de delação, Vorcaro afirma que Augusto Lima teria atuado junto a políticos baianos para direcionar o processo de privatização e garantir participação na operação do cartão. A acusação, entretanto, permanece sob investigação e não foi comprovada.

Jaques Wagner havia ocupado a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia durante parte da preparação do processo, mas já não estava no cargo na data do leilão. Ele foi exonerado em 6 de abril de 2018, cinco dias antes da venda da Ebal.

Wagner deixou liderança do governo após operação

Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado em 24 de junho de 2026, dias depois de ter sido alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em investigação relacionada ao Banco Master.

Na ocasião, o senador afirmou que a saída foi definida em comum acordo com o presidente Lula e que passaria a priorizar sua defesa e a campanha eleitoral. Wagner nega ter recebido vantagens indevidas.

Augusto Lima também foi preso

Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, foi preso preventivamente em novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.

Ele permaneceu preso por 11 dias e posteriormente foi colocado em liberdade com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e retenção do passaporte.

Proposta de delação foi rejeitada

A proposta de colaboração de Daniel Vorcaro acabou rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

Segundo as informações divulgadas, os investigadores consideraram insuficientes os elementos apresentados para comprovar as acusações. Embora documentos confirmem contratos, movimentações financeiras e a presença de pessoas próximas ao grupo político na estrutura relacionada à PKL, eles não demonstram, por si só, que Jaques Wagner tenha recebido propina.

A defesa de Wagner classificou as acusações como falsas e oportunistas e afirmou que o senador nunca teve relação com a PKL One ou com contratos fictícios ligados à empresa.

A defesa de Vorcaro, por sua vez, afirmou que não reconhece a autenticidade e a integridade dos anexos da proposta divulgados pela imprensa e criticou o vazamento do material.

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