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1 de outubro de 2026

Relações Internacionais

Governo Trump destina US$ 1 milhão a grupos contrários ao STF no Brasil

Recursos fazem parte de pacote de US$ 175 milhões do Departamento de Estado dos EUA; presidente norte-americano afirma acompanhar 'muito de perto' eleições brasileiras

Por Thayce Mello
Governo Trump destina US$ 1 milhão a grupos contrários ao STF no Brasil
Governo Trump destina US$ 1 milhão a grupos contrários ao STF no Brasil

O governo dos Estados Unidos destinou US$ 1 milhão a um projeto voltado a organizações da sociedade civil que contestam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil, segundo documentos analisados pelo jornal britânico The Guardian. O repasse ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições brasileiras e em meio a acusações de interferência de Washington no processo eleitoral.

Batizado de “Countering Lawfare and Censorship in Brazil” — em tradução livre, “Combate à Litigância e à Censura no Brasil” —, o projeto prevê recursos para grupos que se opõem ao que a proposta classifica como excesso de atuação judicial e censura por parte do STF. Os documentos não identificam publicamente quais organizações brasileiras receberão os recursos.

O dinheiro integra um conjunto de 43 concessões que somam US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado americano. O pacote inclui, entre outras iniciativas, US$ 40 milhões para um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation e recursos destinados a projetos relacionados a imigração, valores cristãos, regulamentação e questões políticas na Europa.

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Segundo o Guardian, o Departamento de Estado autorizou os recursos nas horas que antecederam o encerramento do ano fiscal americano, apesar de objeções de parlamentares. Uma fonte familiarizada com as negociações afirmou ao jornal que o secretário de Estado, Marco Rubio, assinou um memorando para liberar verbas que estavam sob bloqueios impostos por congressistas. O Departamento de Estado, entretanto, afirmou que os programas ainda estavam em “deliberação ativa” e que os beneficiários passariam pelo processo de avaliação exigido para concessões federais.

Financiamento ocorre em meio à tensão entre EUA e Brasil

A iniciativa se soma a uma série de episódios que aumentaram a tensão entre Washington e Brasília. Em julho de 2025, o governo Trump incluiu o ministro Alexandre de Moraes na lista de pessoas sancionadas pela Lei Magnitsky, citando sua atuação em processos judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. As sanções contra Moraes foram retiradas em dezembro daquele ano.

A relação entre os dois países voltou a ser associada ao processo eleitoral nas últimas semanas. Três senadores democratas — Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch — enviaram uma carta ao secretário Marco Rubio questionando se o governo Trump reconheceria o resultado das eleições brasileiras e manteria relações diplomáticas com o candidato escolhido pelo eleitorado. Os parlamentares também citaram a nomeação de Darren Beattie para assuntos relacionados ao Brasil e medidas comerciais adotadas por Washington. As acusações de interferência partem dos parlamentares e não representam uma conclusão oficial do governo americano.

Na quarta-feira (30), a Reuters informou que representantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) relataram a autoridades francesas e alemãs a existência de suposta interferência dos Estados Unidos e da Rússia nas eleições brasileiras. Segundo a agência, os representantes da Abin disseram que a atuação americana iria de ações relacionadas a “lawfare” a interferências consideradas abertamente reconhecidas. A reportagem ressalvou que não foram apresentados detalhes sobre a suposta participação russa e que o Departamento de Estado americano já negou buscar interferir nas eleições brasileiras.

Trump diz acompanhar eleição brasileira de perto

Nesta quinta-feira (1º), Trump afirmou a jornalistas na Casa Branca que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras e classificou o pleito como “muito importante”. Na declaração, porém, não citou nominalmente nenhum candidato.

A posição pública contrasta com a preocupação manifestada por parlamentares democratas e com os relatos recentes sobre possíveis ações de influência americana. Em agosto, por outro lado, o Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos respeitariam “qualquer governo” escolhido livremente pelos brasileiros em eleições livres e justas.

O novo financiamento, portanto, passa a integrar um cenário mais amplo de atritos entre os governos brasileiro e americano, envolvendo o STF, sanções, comércio e as eleições de 2026. Até o momento, os documentos divulgados não esclarecem quais entidades brasileiras receberão os US$ 1 milhão nem como os recursos serão distribuídos.

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