Estados Unidos
Funcionário do Departamento de Energia dos EUA é preso por ligação com grupo Houthis
Ashton Hamed Ellaboudy, de 51 anos, é acusado de fornecer consultoria em comunicações e comprar materiais para explosivos e drones destinados ao grupo iemenita
Funcionário do Departamento de Energia dos EUA é preso sob acusação de tentar ajudar Houthis
Um funcionário do Departamento de Energia dos Estados Unidos foi preso na quinta-feira (1º/10), no estado de Washington, acusado de tentar fornecer apoio material aos Houthis, grupo que controla a capital do Iêmen e que é classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira.
Ashton Hamed Ellaboudy, de 51 anos, morador de Richland, teria usado seus conhecimentos como engenheiro elétrico para auxiliar na melhoria de sistemas de comunicação dos Houthis. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, ele também teria adquirido produtos químicos, componentes e outros materiais que poderiam ser empregados na fabricação de explosivos e drones.
A acusação foi apresentada pelo governo norte-americano, e Ellaboudy deverá comparecer a uma audiência federal nesta sexta-feira (2). Caso seja condenado, poderá receber pena de até 20 anos de prisão. As acusações ainda não foram julgadas, e ele é considerado inocente até que haja uma condenação.
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Viagem ao Iêmen chamou atenção do FBI
A investigação começou depois que autoridades tiveram conhecimento de que Ellaboudy havia comprado substâncias precursoras de explosivos e peças utilizadas em drones e sistemas aéreos controlados remotamente.
De acordo com a denúncia, em dezembro de 2024, o funcionário apresentou licença médica alegando ter sido exposto a ácido nítrico altamente concentrado, substância que pode ser utilizada na fabricação de materiais explosivos.
Em setembro de 2025, ele viajou de Richland para Omã utilizando um passaporte oficial que havia recebido durante o período em que trabalhou no Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos. A partir de Omã, atravessou a fronteira para o Iêmen com a intenção de chegar a Sanaa, capital controlada pelos Houthis.
Na volta aos Estados Unidos, Ellaboudy informou a agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras que havia realizado a viagem em serviço oficial e que participara de uma missão do governo. Posteriormente, porém, seu supervisor no Departamento de Energia afirmou aos investigadores que não havia autorizado nenhuma viagem internacional daquele tipo nem tinha conhecimento de uma missão relacionada à inspeção de sistemas de defesa.
FBI utilizou fonte que se apresentava como integrante dos Houthis
No decorrer da investigação, o FBI colocou Ellaboudy em contato com uma fonte humana confidencial que dizia trabalhar para um “coronel” dos Houthis.
Segundo os documentos judiciais, a fonte buscava adquirir equipamentos de comunicação que seriam enviados ao Iêmen para a instalação de um centro móvel. Ellaboudy teria usado sua experiência em engenharia elétrica para orientar testes e modificações em geradores de energia solar e equipamentos de comunicação.
Ele também teria fornecido esquemas e diagramas para a montagem dos sistemas, explicado como os equipamentos de energia e comunicação poderiam funcionar em conjunto e pesquisado outros componentes que poderiam ampliar as capacidades de comunicação do grupo.
As autoridades afirmam ainda que o investigado teria comprado produtos químicos e peças de drones durante o período analisado pelo FBI. A acusação apresentada contra ele é de tentativa de fornecer apoio material ou recursos aos Houthis.
O Departamento de Energia informou que o caso não envolveu uma tentativa de atacar ou comprometer as instalações de Hanford, onde funciona uma unidade da pasta, e afirmou que não houve ameaça à segurança do local.
Houthis ampliaram controle sobre a costa do Iêmen
O caso ocorre em meio a uma nova escalada da guerra no Iêmen. O conflito teve início em 2014, quando os Houthis avançaram sobre Sanaa e assumiram o controle da capital. A guerra se internacionalizou no ano seguinte, com a intervenção de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita em apoio ao governo reconhecido internacionalmente.
Em setembro de 2026, os Houthis ampliaram sua presença na costa do Mar Vermelho. O grupo tomou a cidade portuária de Mocha e avançou sobre áreas e ilhas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais passagens marítimas entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden. A ofensiva levou o grupo a consolidar o controle sobre praticamente toda a costa iemenita voltada para o Mar Vermelho.
A retomada dos combates também provocou uma nova onda de deslocamentos internos. Segundo reportagens recentes, mais de 130 mil pessoas foram deslocadas pela intensificação da violência no sudoeste do país.
Nesse cenário, a prisão de Ellaboudy acrescenta um novo episódio à preocupação das autoridades americanas com tentativas de transferência de conhecimento técnico, equipamentos e materiais para os Houthis.
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