Pesquisa Datafolha
73% dos brasileiros defendem a democracia como melhor forma de governo
Levantamento do Datafolha mostra aumento de quatro pontos percentuais em um ano na preferência pelo regime democrático; pessimismo com o país cresceu no último mês
A preferência pela democracia como forma de governo chegou a 73% entre os eleitores brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (2). O índice representa quatro pontos percentuais a mais que na medição anterior, realizada em setembro de 2025, quando 69% deram a mesma resposta. O maior percentual já registrado pelo instituto foi de 79%, em outubro de 2022.
Na pesquisa atual, 15% afirmaram que tanto faz se o país é governado por uma democracia ou por uma ditadura. Outros 7% disseram que, em determinadas circunstâncias, uma ditadura pode ser preferível ao regime democrático. Os que não souberam responder ou não quiseram opinar representam 5%.
O levantamento foi realizado pelo Datafolha a pedido da Globo e da Folha de S.Paulo. Foram entrevistadas presencialmente 2.506 pessoas com 16 anos ou mais, em 152 municípios, entre 29 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08039/2026.
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Apoio varia pouco entre os dois principais eleitorados
Quando os resultados são separados pela intenção de voto para presidente, a preferência pela democracia aparece em patamares próximos entre os eleitores dos dois candidatos que concentram as maiores intenções de voto na pesquisa: 76% entre os que declararam votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 74% entre os que optam por Flávio Bolsonaro (PL).
O resultado atual se insere em uma série histórica iniciada pelo Datafolha em 1989. Naquele ano, 43% consideravam a democracia sempre melhor do que qualquer outra forma de governo. O índice atingiu o pico de 79% em outubro de 2022. Em levantamentos anteriores, o instituto registrou 74% em dezembro de 2023 e 71% em março de 2024.
Otimismo com o país recua
A pesquisa também identificou uma mudança na percepção dos entrevistados sobre o momento vivido pelo Brasil. A parcela classificada como otimista caiu de 43% para 35% entre a medição realizada em setembro e a atual. No mesmo período, o grupo de pessimistas passou de 37% para 43%, enquanto os hesitantes foram de 20% para 22%.
A divisão também apresenta diferenças conforme a intenção de voto. Entre os eleitores de Lula, 58% foram classificados como otimistas, enquanto o índice é de 15% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro. No grupo dos pessimistas, os percentuais são de 22% e 60%, respectivamente.
Entre os eleitores de Lula, o percentual de otimistas caiu de 71% para 58% entre as duas medições. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o levantamento registra uma parcela de 60% de pessimistas e 15% de otimistas na rodada atual.
Os dados mostram que, ao mesmo tempo em que a preferência declarada pela democracia avançou em relação à medição anterior, a percepção sobre a situação atual do país se tornou mais negativa no período analisado. A pesquisa retrata, portanto, dois indicadores distintos: a avaliação sobre a forma de governo e o sentimento dos entrevistados em relação ao momento vivido pelo Brasil.
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