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4 de outubro de 2026

Eleições 2026

PF investiga possível interferência dos EUA em eleições; TSE afirma não haver indicativos

Corporação abriu procedimento após representação da AGU sobre projeto norte-americano que destinaria R$ 5 milhões a grupos de oposição ao STF; presidente do TSE nega ameaças concretas

Por Thayce Mello Atualizado às 17:21
PF investiga possível interferência dos EUA em eleições; TSE afirma não haver indicativos
PF investiga possível interferência dos EUA em eleições; TSE afirma não haver indicativos

A Polícia Federal abriu uma apuração preliminar para verificar uma possível interferência externa nas eleições brasileiras de 2026. A informação foi confirmada neste domingo (4) pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

Segundo ele, a apuração começou após a Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhar uma representação à PF. O material foi direcionado à Diretoria de Inteligência da corporação e, até o momento, não houve abertura formal de inquérito.

A iniciativa está relacionada a uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre um programa do governo dos Estados Unidos chamado “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, voltado ao financiamento de organizações que contestam o que documentos americanos classificam como excessos do Poder Judiciário e censura no Brasil.

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De acordo com as informações divulgadas pelo jornal, o projeto prevê US$ 1 milhão, cerca de R$ 5 milhões, e faz parte de um pacote de 43 programas que somam US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado americano. O status dos recursos e dos projetos, porém, ainda envolve etapas de análise e deliberação do governo dos EUA.

TSE diz não haver indício concreto

Apesar da abertura da apuração pela PF, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo que não havia, até aquele momento, indicativo concreto de interferência internacional nas eleições.

Segundo o ministro, relatórios da PF, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de outros órgãos que atuam em conjunto com o TSE não apontaram riscos relacionados a ações estrangeiras ou ao crime organizado.

Nunes Marques também afirmou que não foram identificados problemas relevantes relacionados a possíveis ameaças ou atentados durante a votação.

Embaixadas suspenderam serviços

A discussão sobre possíveis riscos internacionais ganhou força depois que as embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália suspenderam serviços consulares em Brasília na sexta-feira (2), antes do primeiro turno.

O diretor-geral da PF afirmou, porém, que as diligências realizadas pela corporação não encontraram elementos concretos que apontassem para um plano de ataque contra as representações diplomáticas. A PF havia cumprido mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para verificar informações relacionadas a possíveis ameaças.

Kassio Nunes Marques disse que as próprias representações diplomáticas relacionaram a suspensão dos serviços ao ambiente de polarização política provocado pelas eleições. O ministro afirmou que medidas semelhantes já foram adotadas em outros países durante períodos de maior tensão política.

Relação entre Brasil e Estados Unidos

As tensões envolvendo o governo americano e autoridades brasileiras se intensificaram em 2025. Em 30 de julho daquele ano, os Estados Unidos incluíram o ministro Alexandre de Moraes na lista de sanções da Lei Magnitsky. O governo americano apresentou críticas à atuação do magistrado, incluindo sua condução de processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

As sanções contra Moraes foram retiradas em 12 de dezembro de 2025, juntamente com as medidas aplicadas à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e a uma entidade ligada à família.

Já em setembro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à CNN, estar preocupado com uma possível interferência do secretário de Estado americano, Marco Rubio, nas eleições brasileiras. Lula disse esperar que os Estados Unidos não interferissem no processo eleitoral.

Eleição ocorre normalmente

Até o balanço divulgado pelo TSE durante a tarde deste domingo, a votação seguia dentro da normalidade. 1.121 urnas eletrônicas haviam sido substituídas, o equivalente a cerca de 0,2% do total de equipamentos utilizados no pleito.

O Paraná registrou parte dos principais problemas operacionais devido às fortes chuvas e ventos que atingiram o estado. Houve queda de energia em 140 municípios, mas o TSE informou que os locais de votação contavam com geradores e baterias para manter o funcionamento.

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