Eleições 2026
Abstenção alcança 21% no primeiro turno, maior índice desde 1998
Cerca de 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas em 2026, registrando o maior percentual de ausências em quase três décadas
Mais de 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026, realizado no domingo (4). O número representa 21,07% do eleitorado apto e é o maior percentual de abstenção desde 1998, quando 21,5% dos eleitores deixaram de votar. Em números absolutos, o resultado também é o maior registrado em uma eleição presidencial.
Neste ano, o país tinha aproximadamente 158,7 milhões de eleitores aptos. O índice de ausência ficou acima do registrado nas eleições presidenciais anteriores: em 2022, foram cerca de 32,7 milhões de faltosos, enquanto em 2018 o número chegou a 29,9 milhões e, em 2014, a 27,7 milhões.
Quem não votou precisa justificar
O eleitor que não compareceu ao primeiro turno pode justificar a ausência até 3 de dezembro de 2026, prazo correspondente aos 60 dias posteriores à votação. A justificativa pode ser apresentada pelo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral ou presencialmente em um cartório eleitoral.
Continua depois da publicidade
A justificativa precisa ser feita separadamente para cada turno em que o eleitor deixar de votar. Quem não apresentar justificativa ou tiver o pedido rejeitado fica sujeito ao pagamento da multa eleitoral, de até R$ 3,51 por turno.
A ausência, por si só, não cancela o título. O problema ocorre quando o eleitor deixa de votar em três eleições consecutivas sem justificar nem quitar as multas correspondentes. Nesse caso, a inscrição eleitoral pode ser cancelada. Para essa contagem, cada turno é considerado uma eleição.
O cancelamento pode gerar restrições como impedimento para obter passaporte, realizar matrícula em estabelecimento oficial de ensino e tomar posse em concurso público, enquanto a situação não for regularizada.
Brancos e nulos ficam fora dos votos válidos
Além das abstenções, a apuração registrou votos em branco e nulos. Esses votos não são considerados válidos e, portanto, não entram na definição do candidato eleito.
O voto em branco ocorre quando o eleitor seleciona a opção correspondente na urna. Já o voto nulo acontece quando é digitado um número que não corresponde a uma candidatura válida e a escolha é confirmada. Os dois têm o mesmo efeito na apuração: não são destinados a candidatos ou partidos e não são contabilizados como votos válidos.
Também não é correto afirmar que uma eleição pode ser anulada porque mais da metade dos eleitores votou nulo. O TSE diferencia o voto nulo escolhido pelo eleitor da nulidade de uma votação, que pode ocorrer em situações previstas na legislação eleitoral e depende de decisão da Justiça Eleitoral.
Participação eleitoral
O crescimento da abstenção coloca a participação dos eleitores entre os principais dados do primeiro turno. O percentual de 21,07% significa que aproximadamente um em cada cinco eleitores aptos não compareceu às urnas.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a Justiça Eleitoral já anunciou medidas para tentar ampliar o comparecimento. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Corte pretende reforçar ações de conscientização e utilizar tecnologia para estimular a participação na segunda etapa da eleição.
A tendência de aumento das ausências nas últimas eleições reforça a importância de acompanhar não apenas os votos destinados aos candidatos, mas também o número de eleitores que deixam de participar diretamente da votação.
- Políticos citados no caso Master têm maioria eleita no 1º turno
- Eleição de 2026 fortalece partidos e candidatos e redesenha forças políticas no Congresso e nos estados
- Lula supera Flávio Bolsonaro por quatro votos em urna instalada na Papuda
- Erika Hilton se torna a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados
Participe da conversa
Acesse sua conta Mancheck para comentar.
Entrar