Arte
Obra de Salvador Dalí avaliada em R$ 1,7 milhão é roubada de museu francês
Capa em bronze do Livro do Apocalipse, com 150 quilos, foi levada do Centro de Arte Contemporânea de Issoire durante a noite de domingo
Uma obra considerada única e de grande valor artístico foi roubada de um centro de arte contemporânea em Issoire, na região de Auvergne, na França. O furto ocorreu entre a noite de domingo (4) e a madrugada de segunda-feira (5), segundo a Promotoria de Clermont-Ferrand, que abriu uma investigação.
O alvo foi a capa do chamado Livro do Apocalipse (Livre de l’Apocalypse), concebida e esculpida pelo artista espanhol Salvador Dalí. Feita de bronze e ornamentada com ouro, pedras preciosas e conchas marinhas, a peça pesa cerca de 150 quilos. O conjunto completo do livro chega a 210 quilos.
A obra estava em exposição no Centro de Arte Contemporânea de Issoire, instituição privada ligada ao colecionador Christian Karoutzos. A capa e parte dos pergaminhos permaneceriam disponíveis ao público durante o outono europeu.
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Uma obra criada para ser extraordinária
O projeto surgiu a partir do editor de arte Joseph Forêt, que idealizou, no fim da década de 1950, uma edição monumental inspirada no Apocalipse de São João. O trabalho reuniu contribuições de 14 artistas e escritores do século XX.
Entre os nomes envolvidos estavam Jean Cocteau, Bernard Buffet e Jean Giono. Dalí ficou responsável pela concepção da capa, transformada em uma peça de bronze com materiais preciosos.
A obra percorreu diferentes países e participou de aproximadamente 150 exposições entre 1961 e 1972. Depois desse período, ficou fora de circulação pública por algum tempo, foi armazenada na Suíça e posteriormente passou para proprietários japoneses.
Como a obra chegou à França
Quando os proprietários japoneses planejavam colocar o conjunto à venda por partes, Christian Karoutzos adquiriu a obra em 2003. Ele era diretor de uma empresa especializada em restauração de obras de arte em Issoire.
Karoutzos nunca informou quanto pagou pelo livro. À época, porém, declarou à Agência France-Presse que a obra havia sido avaliada, no momento de sua criação, em dois milhões de francos franceses — valor equivalente a cerca de 305 mil euros em valores atuais segundo a estimativa divulgada pela agência. A avaliação fez com que o livro fosse considerado, naquele período, o mais caro do mundo.
Investigação
A Promotoria de Clermont-Ferrand classificou a obra como uma “peça excepcional e única” e informou que uma investigação foi aberta para apurar as circunstâncias do desaparecimento.
O prefeito de Issoire, Bertrand Barraud, afirmou à AFP que o proprietário ficou profundamente abalado com o furto e classificou a perda como “inestimável”. Segundo o prefeito, Karoutzos considera que o objeto representa parte do patrimônio cultural francês.
As autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre como o objeto, cujo conjunto pesa 210 quilos, foi retirado do centro de arte ou se houve arrombamento.
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