Cinema
Novo filme de Aaron Sorkin volta ao Facebook e expõe bastidores da Meta
Roteirista de 'A Rede Social' assina 'O Outro Lado das Redes', que adapta reportagens do Wall Street Journal sobre denúncias internas da Meta e estreia em 22 de outubro
Dezesseis anos depois de escrever A Rede Social, Aaron Sorkin retorna à história do Facebook em uma produção que desloca o foco da criação da plataforma para as consequências de seu funcionamento. Em O Outro Lado das Redes, o roteirista e diretor acompanha a investigação que ficou conhecida como “Facebook Files”, publicada pelo Wall Street Journal em 2021.
O filme tem Mikey Madison no papel de Frances Haugen, ex-funcionária do Facebook que vazou milhares de documentos internos, e Jeremy Allen White como o jornalista Jeff Horwitz, responsável pela apuração do material para o jornal americano. Mark Zuckerberg é interpretado por Jeremy Strong, substituindo Jesse Eisenberg, que viveu o fundador da empresa no longa de 2010.
A estreia brasileira está prevista para 22 de outubro.
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Dos documentos vazados ao cinema
As informações reveladas pelos documentos internos formam a base da narrativa. Entre elas estão pesquisas do próprio Facebook sobre os efeitos do Instagram sobre adolescentes, além de registros relacionados à circulação de desinformação, conteúdo extremista e materiais que poderiam estimular violência.
Um dos episódios centrais envolve uma pesquisa interna sobre adolescentes e imagem corporal. Os documentos mostraram que parte das jovens que já apresentavam problemas com a própria aparência relatava piora após utilizar o Instagram.
A investigação também abordou uma mudança feita no algoritmo do Facebook em 2018. Segundo Sorkin, a empresa tinha pesquisas que indicavam que conteúdos capazes de provocar raiva e fortes reações tendiam a ser mais compartilhados. A alteração no sistema de distribuição aumentou o peso desse tipo de interação.
O filme transforma esses episódios em uma história centrada no trabalho jornalístico e na atuação de uma denunciante dentro de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo.
Sorkin muda a forma de retratar Zuckerberg
A representação de Zuckerberg também mudou em relação ao filme de 2010. Sorkin explicou que, em A Rede Social, procurou compreender as motivações do personagem. Na nova produção, a proposta é permitir que Zuckerberg apresente seus próprios argumentos e, posteriormente, colocar essas justificativas diante das consequências retratadas na história.
O diretor afirma que o fundador do Facebook é tratado mais como um anti-herói do que como um vilão tradicional. Jeremy Strong, por sua vez, afirmou que tentou defender o personagem durante as filmagens e chegou a conversar com o próprio Zuckerberg para compreender melhor sua perspectiva.
A produção também assume uma forte inspiração em filmes sobre jornalismo investigativo. Sorkin cita obras como Todos os Homens do Presidente, Spotlight e The Post como referências para a construção do longa. O diretor, conhecido também pela criação de The Newsroom, defende que o cinema volte a produzir histórias nas quais jornalistas tenham papel central.
A disputa pela narrativa das redes sociais
A história avança por diferentes períodos e chega aos acontecimentos de 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio americano.
Sorkin decidiu não mencionar Trump nominalmente na sequência. Segundo o diretor, a intenção foi evitar que a discussão se transformasse exclusivamente em um debate sobre o ex-presidente e manter o foco no papel desempenhado pelo Facebook na disseminação de conteúdo extremista e na polarização política.
A produção estabelece uma relação entre as decisões da plataforma e o ambiente que antecedeu a invasão do Capitólio. Essa conexão faz parte da interpretação apresentada pelo filme, enquanto os documentos do Facebook Files registram problemas relacionados à moderação, à disseminação de conteúdo e às decisões tomadas pela empresa após a eleição de 2020.
Roteiro passou por revisão jurídica
O cuidado com a representação da Meta também chegou aos bastidores da produção. Sorkin revelou que um escritório de advocacia externo foi contratado para revisar o roteiro e verificar se as informações apresentadas como fatos poderiam ser sustentadas.
A preocupação estava relacionada ao poder econômico da empresa e ao risco de possíveis questionamentos judiciais. O processo levou inclusive a alterações no roteiro e na construção de determinados personagens.
Com a história baseada em documentos reais, depoimentos e uma investigação jornalística de grande repercussão, O Outro Lado das Redes retoma o universo apresentado por Sorkin em 2010, mas desloca a discussão para outro momento: o impacto social e político alcançado pelo Facebook depois de se tornar uma das maiores plataformas de comunicação do mundo.
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