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6 de outubro de 2026

França

Jovem perde a mão após explosão de granada durante protesto estudantil na França

Manifestações por melhores condições para educação se tornaram as maiores em décadas no país, com confrontos violentos entre estudantes e polícia; investigação da polícia interna francesa tenta esclarecer como o artefato explodiu

Por Anna Luiza Bastos Atualizado às 15:21
Adolescente perde a mão em protestos estudantis na França

Um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada durante um bloqueio estudantil em frente ao liceu Auguste-Béhal, em Lens, no norte da França, na segunda-feira (5). O jovem foi levado ao hospital, e as circunstâncias exatas do incidente são investigadas pela Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN).

A versão de que o adolescente teria recolhido a granada ainda não foi confirmada. O procurador de Béthune, Etienne Thieffry, afirmou que, neste momento, não é possível determinar se o jovem pegou o artefato ou se a granada caiu sobre ele antes da explosão.

O episódio ocorreu durante confrontos entre policiais e estudantes que participavam de bloqueios de escolas. Segundo o prefeito de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, cerca de 200 a 250 manifestantes estavam no local e teriam lançado objetos contra as forças de segurança antes da intervenção policial.

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Protestos se espalham pela França

O caso aconteceu em meio à terceira semana de mobilizações de estudantes do ensino médio. Os protestos começaram em 21 de setembro, em Créteil, na região de Paris, e posteriormente se espalharam para diversas cidades francesas. Entre as reivindicações estão mais professores, redução do número de alunos por sala e melhorias na infraestrutura das escolas.

Nesta terça-feira (6), a mobilização ganhou dimensão nacional. Segundo a Associated Press, mais de 250 mil pessoas participaram dos atos em diferentes partes do país. Desde o início dos protestos, milhares de manifestantes foram detidos, sendo a maioria menores de idade.

A atuação policial passou a ser alvo de críticas após uma série de ferimentos graves entre estudantes. A CNCDH afirmou estar preocupada com o que considera intervenções policiais desproporcionais e pediu que as autoridades adotem medidas de contenção e diálogo com os jovens.

Adolescente de 14 anos também ficou gravemente ferido

Outro caso que ganhou repercussão ocorreu em 28 de setembro, em Saint-Ouen-l’Aumône, nos arredores de Paris. Eden, de 14 anos, sofreu graves ferimentos no rosto após ser atingido por um disparo de um lançador de granadas durante uma intervenção policial.

Imagens registraram o momento em que o adolescente estava diante de três policiais. Segundo informações divulgadas pela imprensa francesa, o disparo atingiu o jovem na região da boca e provocou graves lesões na mandíbula e nos dentes. A família afirma que ele precisou passar por cirurgia e permanece com a mandíbula imobilizada.

Nesta terça-feira (6), o policial responsável pelo disparo foi colocado em exame judicial por violência praticada por agente público com mutilação ou incapacidade permanente. Ele também ficou sob controle judicial e afastado de suas funções.

A família de Eden também apresentou denúncia, enquanto uma investigação da IGPN apura a atuação policial.

Entidades pedem redução das tensões

A Amnesty International pediu às autoridades francesas que protejam os menores que participam pacificamente das manifestações e evitem o uso excessivo da força. A organização afirmou que qualquer intervenção policial deve ser legal, necessária e proporcional.

A presidente da Amnesty International França, Anne Savinel-Barras, também defendeu a proteção de jovens que reivindicam melhorias na educação, diante dos relatos de uso de gás lacrimogêneo, granadas e outros equipamentos policiais.

A CNCDH fez apelo semelhante e afirmou que a resposta do Estado deve considerar a vulnerabilidade dos estudantes. A entidade também defendeu a abertura de canais de diálogo entre governo, alunos, professores e famílias.

Com a mobilização crescendo e novos casos de violência sendo investigados, o governo francês enfrenta pressão para conciliar a manutenção da ordem com a proteção dos estudantes e o direito de manifestação.

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