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6 de outubro de 2026

Ciência

Terapia com mRNA reduz tumor de pulmão e preserva músculos em testes com camundongos

Nanopartículas transportam material genético diretamente ao tumor e combatem caquexia, síndrome que provoca perda de massa muscular em pacientes com câncer

Por Thayce Mello Atualizado às 16:16
Terapia com mRNA reduz tumor de pulmão e preserva músculos em testes com camundongos
Terapia com mRNA reduz tumor de pulmão e preserva músculos em testes com camundongos

Uma abordagem experimental desenvolvida por cientistas da Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos, conseguiu diminuir tumores pulmonares e ao mesmo tempo combater a perda de massa muscular associada ao câncer em testes com camundongos. A técnica utiliza nanopartículas para transportar RNA mensageiro (mRNA) diretamente às células tumorais.

Os resultados foram publicados no periódico científico Journal of Controlled Release. A estratégia busca enfrentar simultaneamente o câncer de pulmão e a caquexia, síndrome que causa perda acentuada de peso e músculos em alguns pacientes oncológicos.

Direcionamento ao tumor

Um dos principais obstáculos das terapias baseadas em mRNA é fazer com que o material chegue ao local desejado depois de entrar na corrente sanguínea. Nanopartículas lipídicas convencionais costumam se acumular no fígado, o que dificulta o tratamento de tumores em outros órgãos.

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Para superar essa limitação, os pesquisadores desenvolveram partículas com maior capacidade de alcançar tumores pulmonares. Após a administração intravenosa, elas se ligaram à vitronectina, uma proteína presente no sangue. Essa interação favoreceu o direcionamento das partículas para receptores encontrados em abundância no ambiente tumoral.

As nanopartículas transportaram mRNA da folistatina até os tumores. O material genético fornece instruções para que as células produzam a proteína, que está relacionada tanto à supressão do crescimento tumoral quanto ao crescimento do tecido muscular.

A estratégia conseguiu uma redução da carga tumoral aproximadamente 2,5 vezes maior do que a obtida com nanopartículas convencionais que produziam folistatina de forma sistêmica, segundo os pesquisadores.

Preservação muscular

A escolha da folistatina teve outro objetivo: enfrentar uma complicação grave associada ao câncer. A caquexia cancerosa provoca perda involuntária de peso, gordura e massa muscular. Diferentemente de uma perda de peso relacionada apenas à alimentação, a condição pode persistir mesmo quando o paciente recebe nutrientes adequados.

Nos camundongos, o tratamento ajudou a manter o peso corporal e preservar tecidos musculares e adiposos. Os pesquisadores também observaram melhora na ingestão de alimentos. A estratégia, portanto, atuou em duas frentes no mesmo experimento: reduziu a carga tumoral e amenizou sinais da caquexia.

Segundo Oleh Taratula, um dos pesquisadores responsáveis pelo trabalho, o objetivo foi desenvolver uma terapia capaz de atingir simultaneamente o tumor pulmonar e a perda muscular associada à doença.

Etapas até chegar a pacientes

Os resultados não significam que a estratégia já possa ser utilizada contra o câncer de pulmão em pacientes. Os experimentos foram realizados em camundongos, etapa anterior aos ensaios clínicos. Resultados positivos em animais não garantem que um tratamento apresente a mesma segurança ou eficácia em seres humanos.

Os pesquisadores afirmam que serão necessários outros estudos pré-clínicos antes de considerar os testes em pessoas. Essas etapas deverão avaliar questões como segurança, possíveis efeitos adversos, dose adequada e capacidade de reproduzir os benefícios observados nos animais.

Caso os resultados sejam confirmados nas próximas fases, a abordagem poderá abrir caminho para um tratamento que tente enfrentar simultaneamente o tumor e uma de suas complicações mais debilitantes.

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