Eleições 2026
Lula defende fim da escala 6×1 e critica proposta de Flávio Bolsonaro sobre jornada flexível
Presidente reforça apoio à PEC que estabelece cinco dias de trabalho e dois de descanso sem redução salarial; Senado retomou discussão da proposta nesta terça-feira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a manifestar apoio ao fim da escala de trabalho 6×1 nesta terça-feira (6) e fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, que se posiciona contra a proposta nos moldes em discussão no Congresso Nacional.
Em publicação nas redes sociais, Lula defendeu a aprovação de uma jornada de cinco dias de trabalho e dois dias de descanso por semana, sem redução salarial. O presidente destacou que o Senado retomou a discussão sobre a mudança e afirmou querer ver a medida “sair do papel”.
“O que defendemos são 5 dias de trabalho e 2 dias de folga por semana, sem redução de salário. Porque o trabalhador e a trabalhadora querem melhorar de vida, mas também querem tempo para viver, descansar, cuidar da saúde e estar com a família”, escreveu o presidente.
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A proposta em análise no Congresso estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, divididas em cinco dias de trabalho e dois de descanso, mantendo os salários atuais. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, e ainda precisa passar por dois turnos de votação no plenário da Casa.
Crítica a Flávio Bolsonaro
Lula criticou diretamente a posição de Flávio Bolsonaro sobre o tema. “Já Flávio Bolsonaro é contra. Para ele, quem trabalhar menos tem que ganhar menos. Queria ver ele explicar para uma mãe de família qual conta ela deixa de pagar para poder descansar. A comida? A luz? O aluguel? Quem vive de salário sabe que isso não é escolha”, afirmou o presidente.
O petista disse ainda que a votação da PEC permitirá que a sociedade brasileira conheça “quem é quem” na política e chamou a análise da matéria de “primeiro teste” para que o Partido Liberal (PL) demonstre “o que quer desse país”.
Em declaração na sede da coordenação da campanha, Lula acusou o PL de tentar atrapalhar a votação da proposta. O presidente afirmou estar confiante de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, colocará a PEC em votação e que a Casa repetirá a decisão já tomada pela Câmara.
Proposta alternativa de Flávio
Questionado sobre o assunto nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro reafirmou sua posição e defendeu um modelo diferente. O senador propõe uma jornada flexível, negociada diretamente entre empregado e empregador, que poderia incluir redução de salário caso houvesse diminuição da carga horária.
“Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que está na mesa, que é dar liberdade para que o trabalhador escolha a sua própria carga horária. Tem muitas mães, por exemplo, que não conseguem trabalhar oito horas por dia porque não têm como deixar seus filhos”, declarou o candidato do PL.
Flávio afirmou que, em seu projeto, as trabalhadoras poderiam definir a jornada de acordo com suas necessidades e teriam acesso a um voucher para pagar uma creche privada caso não conseguissem vaga na rede pública.
Em agosto, durante encontro com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o senador já havia defendido que o trabalhador tivesse liberdade para escolher a própria carga horária como alternativa à extinção da escala 6×1.
Disputa eleitoral
A discussão sobre a jornada de trabalho se tornou um tema central no segundo turno da eleição presidencial. Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência no dia 25 de outubro. No primeiro turno, o candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o petista obteve 45,16%.
Em agosto, a coordenação da campanha de Flávio tentou evitar que a PEC fosse votada durante o período eleitoral. A avaliação do partido era de que uma mudança dessa dimensão deveria ser discutida com mais profundidade e analisada somente depois das eleições.
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