Eleições 2026
Deputado eleito por Roraima foi preso por suspeita de compra de votos dias antes da eleição
Daniel Trindade (PL) conquistou 16.673 votos no pleito de domingo. Ele também é investigado por formação de milícia privada e crimes ambientais no estado
Nove dias separaram uma prisão em flagrante de uma vitória nas urnas. Daniel Trindade (PL) foi preso pela Polícia Federal em 25 de setembro e, em 4 de outubro, foi eleito deputado federal por Roraima, com 16.673 votos. A eleição não encerra a investigação, que segue em andamento.
O que aconteceu em 25 de setembro
A prisão ocorreu durante a Operação Cunhambebe. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao candidato em Boa Vista e Cantá. Segundo a PF, foram encontrados indícios de possíveis crimes eleitorais, relacionados à suspeita de compra de votos. Entre os itens apreendidos, segundo a imprensa local, estavam listas com nomes de possíveis eleitores e dinheiro em espécie. Trindade foi solto no dia seguinte.
De onde vem a investigação
A apuração é mais ampla e começou antes da campanha. Em maio, equipes da Polícia Rodoviária Federal e do Ibama foram atacadas durante uma operação contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, na comunidade Napoleão. Na ocasião, um grupo tentou bloquear a passagem das viaturas. A partir daí, a PF passou a investigar o papel de Trindade, que é suspeito de integrar um grupo armado paralelo, incentivar a prática de crimes, dificultar a fiscalização ambiental e manter produtos ilícitos, o que pode configurar receptação qualificada. A investigação trata a hipótese como suspeita de formação de milícia privada. Nenhuma dessas suspeitas foi julgada.
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O que a Justiça já determinou
Como medidas cautelares, Trindade está proibido de entrar em terras indígenas de Roraima e de manter contato com integrantes da Comunidade Napoleão e com o presidente da Associação dos Arqueiros de Roraima. Um curso de segurança privada que ele ministrava foi suspenso por 180 dias. Segundo a PF, as aulas eram realizadas sem autorização do órgão competente e ensinavam táticas operacionais de segurança.
O que diz a defesa
Os advogados afirmam que não há provas do envolvimento do candidato nos crimes investigados. Segundo eles, os cursos eram gratuitos e organizados por um instituto que recebeu apoio logístico dele, sem relação com a campanha. As listas apreendidas, de acordo com a defesa, eram pesquisas de intenção de voto, e o dinheiro é compatível com a renda e o trabalho do candidato. O advogado Samuel Almeida Costa também questionou o momento da operação, em pleno período eleitoral, e pediu que seja examinado um possível uso político da investigação. A defesa diz que Trindade colaborou com as buscas e está à disposição para prestar esclarecimentos.
Por que o caso chama atenção
O caso mostra que ser investigado não impede alguém de disputar uma eleição nem de ser eleito: pela regra geral, a inelegibilidade depende de condenação, e não de investigação ou prisão em flagrante seguida de liberação. O resultado nas urnas, por sua vez, não significa absolvição. São duas coisas separadas: o voto do eleitor e o processo judicial.
O que ainda não se sabe
Ainda não há informação pública sobre uma denúncia formal à Justiça, o que costuma ser o próximo passo de um inquérito. Também não está claro como as suspeitas podem afetar a posse, prevista para 1º de fevereiro de 2027, nem quais seriam os efeitos, caso haja condenação no futuro.
Por enquanto, os fatos confirmados são a prisão em flagrante, a liberação no dia seguinte, as medidas impostas pela Justiça e a vitória na eleição. O restante depende das conclusões da PF e das decisões do Judiciário, e o Mancheck acompanha o caso.
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