Pular para o conteúdo
7 de outubro de 2026

Eleições 2026

Deputado eleito por Roraima foi preso por suspeita de compra de votos dias antes da eleição

Daniel Trindade (PL) conquistou 16.673 votos no pleito de domingo. Ele também é investigado por formação de milícia privada e crimes ambientais no estado

Por Thayce Mello
Deputado eleito por Roraima foi preso por suspeita de compra de votos dias antes da eleição
Deputado eleito por Roraima foi preso por suspeita de compra de votos dias antes da eleição

Nove dias separaram uma prisão em flagrante de uma vitória nas urnas. Daniel Trindade (PL) foi preso pela Polícia Federal em 25 de setembro e, em 4 de outubro, foi eleito deputado federal por Roraima, com 16.673 votos. A eleição não encerra a investigação, que segue em andamento.

O que aconteceu em 25 de setembro

A prisão ocorreu durante a Operação Cunhambebe. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao candidato em Boa Vista e Cantá. Segundo a PF, foram encontrados indícios de possíveis crimes eleitorais, relacionados à suspeita de compra de votos. Entre os itens apreendidos, segundo a imprensa local, estavam listas com nomes de possíveis eleitores e dinheiro em espécie. Trindade foi solto no dia seguinte.

De onde vem a investigação

A apuração é mais ampla e começou antes da campanha. Em maio, equipes da Polícia Rodoviária Federal e do Ibama foram atacadas durante uma operação contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, na comunidade Napoleão. Na ocasião, um grupo tentou bloquear a passagem das viaturas. A partir daí, a PF passou a investigar o papel de Trindade, que é suspeito de integrar um grupo armado paralelo, incentivar a prática de crimes, dificultar a fiscalização ambiental e manter produtos ilícitos, o que pode configurar receptação qualificada. A investigação trata a hipótese como suspeita de formação de milícia privada. Nenhuma dessas suspeitas foi julgada.

Continua depois da publicidade

O que a Justiça já determinou

Como medidas cautelares, Trindade está proibido de entrar em terras indígenas de Roraima e de manter contato com integrantes da Comunidade Napoleão e com o presidente da Associação dos Arqueiros de Roraima. Um curso de segurança privada que ele ministrava foi suspenso por 180 dias. Segundo a PF, as aulas eram realizadas sem autorização do órgão competente e ensinavam táticas operacionais de segurança.

O que diz a defesa

Os advogados afirmam que não há provas do envolvimento do candidato nos crimes investigados. Segundo eles, os cursos eram gratuitos e organizados por um instituto que recebeu apoio logístico dele, sem relação com a campanha. As listas apreendidas, de acordo com a defesa, eram pesquisas de intenção de voto, e o dinheiro é compatível com a renda e o trabalho do candidato. O advogado Samuel Almeida Costa também questionou o momento da operação, em pleno período eleitoral, e pediu que seja examinado um possível uso político da investigação. A defesa diz que Trindade colaborou com as buscas e está à disposição para prestar esclarecimentos.

Por que o caso chama atenção

O caso mostra que ser investigado não impede alguém de disputar uma eleição nem de ser eleito: pela regra geral, a inelegibilidade depende de condenação, e não de investigação ou prisão em flagrante seguida de liberação. O resultado nas urnas, por sua vez, não significa absolvição. São duas coisas separadas: o voto do eleitor e o processo judicial.

O que ainda não se sabe

Ainda não há informação pública sobre uma denúncia formal à Justiça, o que costuma ser o próximo passo de um inquérito. Também não está claro como as suspeitas podem afetar a posse, prevista para 1º de fevereiro de 2027, nem quais seriam os efeitos, caso haja condenação no futuro.

Por enquanto, os fatos confirmados são a prisão em flagrante, a liberação no dia seguinte, as medidas impostas pela Justiça e a vitória na eleição. O restante depende das conclusões da PF e das decisões do Judiciário, e o Mancheck acompanha o caso.

Participe da conversa

Acesse sua conta Mancheck para comentar.

Entrar