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25 de setembro de 2026

França

Academia Goncourt retira livro de prêmio por suspeita de uso de IA

Romance do canadense Thélyson Orélien foi excluído da disputa após análises indicarem que texto foi produzido em grande parte por inteligência artificial

Por Anna Luiza Bastos
Academia Goncourt retira livro de prêmio por suspeita de uso de IA
Academia Goncourt retira livro de prêmio por suspeita de uso de IA

A Academia Goncourt anunciou nesta sexta-feira (25) a exclusão do romance do escritor canadense Thélyson Orélien da lista de candidatos ao prêmio literário mais importante da França. A decisão foi tomada após análises apontarem suspeitas de uso de inteligência artificial na produção da obra.

Em comunicado, a instituição afirmou que a medida visa preservar a integridade do Prêmio Goncourt e da Academia, cuja missão central é promover e celebrar a literatura escrita por seres humanos.

O livro “C’était ça ou mourir” (“Era isso ou morrer”, em tradução livre) tornou-se um fenômeno literário na França e estava entre os favoritos da temporada de premiações. A controvérsia começou no início da semana, quando uma conta anônima na rede social X acusou Orélien de ter escrito a obra quase inteiramente com o uso de inteligência artificial.

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Para embasar a exclusão, a Academia Goncourt informou que considerou resultados convergentes de diversas análises feitas por pesquisadores e jornalistas, que demonstraram que o romance é, muito provavelmente, em grande parte produto de IA.

Dois dias após as primeiras acusações, surgiram também suspeitas de plágio de textos publicados há mais de uma década no Canadá. A editora Boréal, responsável pela publicação da obra no país, anunciou a suspensão das atividades promocionais do livro.

Orélien, de 38 anos, que também possui nacionalidade haitiana e chegou ao Canadá em 2010, estava na França para promover o livro. Em declaração, o escritor afirmou estar pronto para se pronunciar quando a situação se acalmar, alegando que existe um desejo não apenas de atacar o livro, mas de silenciar sua voz.

Por trás da conta anônima que iniciou as denúncias está o ensaísta francês Samuel Fitoussi, que assumiu a autoria das postagens nesta sexta-feira, descrevendo a ação como um projeto coletivo. Colaborador do jornal conservador Figaro, Fitoussi justificou a iniciativa dizendo temer que, após milênios de uma civilização baseada na escrita, a inteligência artificial cause o desaparecimento da leitura e da escrita.

O caso abalou o mundo literário francês e levanta questões globais sobre como a nova tecnologia afetará a indústria editorial.

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