Mercado Financeiro
Bolsa brasileira recebe R$ 10 bi de estrangeiros após primeiro turno
Fluxo recorde ocorreu na segunda-feira seguinte ao resultado eleitoral, quando Ibovespa registrou maior alta em mais de seis anos
Investidores estrangeiros colocaram R$ 10,06 bilhões em ações brasileiras na segunda-feira (5), no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais. O valor representa o maior ingresso diário de capital estrangeiro registrado na série acompanhada pela B3 e superou em cerca de 20% o recorde anterior, registrado em abril.
A reação ocorreu após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT). Os dois candidatos avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O movimento dos investidores veio acompanhado de uma forte valorização dos ativos brasileiros. O Ibovespa subiu 7,70%, aos 206.911,89 pontos, e encerrou o dia no maior nível de sua história. Durante o pregão, o índice chegou a 209.605,70 pontos.
Continua depois da publicidade
O dólar também reagiu ao resultado eleitoral e caiu 4,11%, fechando a sessão a R$ 5,001. A valorização do real foi acompanhada por uma queda nos juros futuros, em um sinal de que parte do mercado passou a trabalhar com uma perspectiva mais favorável para a política econômica brasileira.
Mercado vê possibilidade de mudança no cenário econômico
A reação positiva foi associada principalmente à expectativa de uma eventual alternância de poder e à composição do Congresso eleito. O PL ampliou sua presença no Legislativo, com 121 deputados federais e 28 senadores, cenário que investidores avaliam como potencialmente mais favorável à aprovação de medidas econômicas caso Flávio seja eleito. A Reuters também destacou que bancos internacionais passaram a avaliar de forma mais positiva os ativos brasileiros após o resultado.
Entre as expectativas do mercado estão uma política fiscal mais rígida, redução de despesas, avanço de reformas e possibilidade de queda dos juros. A avaliação, no entanto, ainda depende da capacidade do próximo governo de transformar as promessas em medidas concretas.
A Bloomberg Línea destacou que o candidato ainda não apresentou um plano detalhado para enfrentar o déficit fiscal brasileiro, um dos pontos que continuam sendo acompanhados pelos investidores.
Entrada recorde ainda não garante tendência
Apesar do tamanho do fluxo, o movimento de um único pregão não permite concluir que os investidores estrangeiros tenham mudado definitivamente sua percepção sobre o Brasil.
A entrada de recursos pode ser revertida caso as expectativas criadas após o primeiro turno não se confirmem. Para o mercado, a trajetória dos ativos nas próximas semanas será mais importante para determinar se a reação representa uma mudança estrutural ou apenas uma aposta de curto prazo.
O comportamento observado nos dias seguintes reforça essa cautela. Na terça-feira (6), o Ibovespa recuou 0,52%, aos 205.835,29 pontos, em um movimento interpretado pela B3 como realização de lucros depois da forte alta registrada na sessão anterior.
Fiscal e juros estarão no centro das atenções
A continuidade da entrada de capital estrangeiro dependerá também da avaliação sobre as contas públicas. Investidores internacionais comparam o potencial de retorno dos ativos brasileiros com oportunidades nos Estados Unidos, Europa e outros mercados emergentes.
Nesse cenário, três elementos ganham peso: o preço das ações em relação aos resultados esperados das empresas, as perspectivas de crescimento da economia e a confiança na condução fiscal.
A avaliação do risco também passa pela expectativa para os juros. Uma eventual melhora das contas públicas poderia abrir espaço para uma trajetória de juros mais favorável, enquanto dúvidas sobre o equilíbrio fiscal poderiam reduzir parte do entusiasmo observado após o primeiro turno.
Por enquanto, o recorde de entrada estrangeira mostra a força da reação imediata ao resultado eleitoral. A confirmação de que houve uma mudança mais duradoura na percepção sobre o Brasil, porém, dependerá dos próximos pregões e, principalmente, da evolução da disputa presidencial até o segundo turno.
- Novo oficializa apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da disputa presidencial
- Flávio promete mudar reforma tributária e acabar com split payment se eleito
- Flávio Bolsonaro explica que fala sobre mudar Constituição se refere a reforma do STF e fim da reeleição
- Fim da escala 6×1: o que falta para virar lei e o que muda para quem trabalha
Participe da conversa
Acesse sua conta Mancheck para comentar.
Entrar