Eleições 2026
Campanha de Lula pede ao TSE investigação sobre fechamento de embaixadas dos EUA no Brasil
Pedido foi protocolado na véspera do primeiro turno das eleições de 2026 e cita suspeita de interferência externa no pleito brasileiro
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, protocolou na sexta-feira (2/10) um pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando que a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil seja incluída nas investigações da Corte sobre suposta interferência externa nas eleições brasileiras.
O requerimento foi apresentado a dois dias do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para este domingo (4/10). Na ação, a campanha petista argumenta que a medida norte-americana “projeta instabilidade sobre o ambiente do pleito”.
O documento acusa os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro de articular, junto ao governo norte-americano, interferência no processo eleitoral brasileiro. Segundo o texto, há uma “infraestrutura de intervenção externa” organizada em três frentes: comunicacional, institucional e diplomática.
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Suspensão dos serviços consulares
O governo de Donald Trump comunicou na noite de quinta-feira (1º/10) a suspensão dos atendimentos presenciais na Embaixada dos EUA em Brasília e nos consulados em Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. A medida, que entrou em vigor na sexta-feira, foi justificada por “questões de segurança” não detalhadas.
Funcionários da representação diplomática foram orientados a trabalhar de casa após a alegação de uma “ameaça” recebida pela Embaixada. Até o momento, não há previsão para retomada dos atendimentos presenciais.
Antes de anunciar a suspensão, a Embaixada dos EUA procurou a Polícia Federal (PF), que comunicou o caso ao Palácio do Planalto e ao Itamaraty e abriu investigação.
Investigação da Polícia Federal
Na tarde de sexta-feira, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Entorno do Distrito Federal para apurar suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos EUA no Brasil.
A corporação informou, no entanto, que não foram identificados elementos que corroborem os riscos inicialmente apontados pelas autoridades norte-americanas. As investigações prosseguem com análise de equipamentos de comunicação e mídias apreendidos.
Carta de senadores democratas
O pedido da campanha de Lula menciona carta enviada por três senadores democratas dos Estados Unidos — Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch — ao secretário de Estado Marco Rubio. No documento, os parlamentares alertam sobre riscos de interferência do governo Trump nas eleições brasileiras.
Os senadores afirmam que o governo norte-americano utiliza “pressão diplomática, econômica e política” para “minar a confiança no processo eleitoral brasileiro”. Eles questionam se Washington se comprometerá a reconhecer o resultado oficial das eleições e a manter relações diplomáticas normais com o próximo presidente brasileiro, independentemente de quem seja eleito.
Reações de outros países
Após o anúncio dos Estados Unidos, a Austrália também fechou sua embaixada em Brasília, citando “preocupações com a segurança” baseadas na decisão norte-americana.
O governo do Reino Unido emitiu alerta de viagem para o Brasil e recomendou que cidadãos britânicos evitem comícios, protestos e manifestações políticas durante o período eleitoral. O comunicado do Ministério das Relações Exteriores britânico menciona que “protestos e manifestações podem ocorrer em todo o Brasil sem aviso prévio, e a situação pode mudar rapidamente”.
O Canadá também atualizou na sexta-feira seu alerta de viagem para o Brasil, incluindo informações sobre segurança no país durante as eleições. A orientação cita a decisão dos Estados Unidos e recomenda que canadenses evitem manifestações e grandes aglomerações, sigam instruções das autoridades locais e acompanhem os meios de comunicação.
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