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19 de setembro de 2026

Esportes

Clubes brasileiros defendem mercado regulado de bets e alertam para impacto de possíveis restrições

Equipes e entidades esportivas defendem a manutenção das apostas regulamentadas e afirmam que mudanças nas regras podem reduzir receitas de patrocínio no futebol brasileiro.

Por Anna Luiza Bastos Atualizado às 18:51

Clubes e entidades do futebol brasileiro se mobilizaram nesta quinta-feira (17) em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas no país. A reação ocorre diante da possibilidade de o governo federal alterar as regras para jogos on-line por meio de uma Medida Provisória.

Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Palmeiras, Santos, São Paulo e Cruzeiro estão entre os clubes que divulgaram um manifesto sobre o tema. As federações Paulista e do Rio de Janeiro também aderiram ao posicionamento.

No documento, as entidades reconhecem que a expansão das apostas trouxe desafios relacionados à proteção dos consumidores, mas defendem que esses problemas sejam enfrentados por meio de fiscalização, prevenção e aperfeiçoamento das regras, sem eliminar o mercado autorizado.

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Clubes apontam impacto nas receitas

Um dos principais argumentos apresentados pelos clubes é o peso financeiro das empresas de apostas no futebol brasileiro. Segundo estimativas citadas pelo ge e pelo Poder360, os patrocínios de bets representam mais de R$ 1 bilhão por ano apenas para equipes da Série A.

As entidades afirmam que os recursos não ficam concentrados somente nos clubes de maior torcida. Segundo o manifesto, o dinheiro das empresas também chega a equipes menores, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial.

Na avaliação apresentada pelos clubes, uma redução significativa desses investimentos poderia afetar contratos de patrocínio, planejamento financeiro e estruturas mantidas pelas equipes. O manifesto também menciona áreas como futebol feminino, categorias de base e projetos sociais.

Governo avalia mudanças nas regras

A mobilização ocorre enquanto o governo federal discute possíveis alterações na regulamentação das apostas. Informações divulgadas por diferentes veículos apontam para a possibilidade de uma Medida Provisória voltada principalmente aos jogos de cassino on-line.

A Reuters informou que, segundo fontes ouvidas pela agência, uma eventual medida poderia atingir os cassinos on-line sem necessariamente proibir as apostas esportivas ou os contratos de patrocínio ligados ao futebol.

O cenário, porém, ainda estava em discussão. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em 17 de setembro que o governo não havia tomado uma decisão definitiva sobre novas restrições e que a análise considerava os efeitos das apostas sobre o orçamento das famílias.

Regulamentação e combate ao mercado ilegal

Atualmente, o mercado de apostas de quota fixa é regulamentado no Brasil. De acordo com o Ministério da Fazenda, desde 1º de janeiro de 2025 apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas podem operar nacionalmente, e os sites autorizados utilizam o domínio “.bet.br”.

O governo também vem ampliando as medidas contra plataformas clandestinas. Em setembro, a Secretaria de Prêmios e Apostas publicou uma nova portaria para reforçar a identificação e o bloqueio de transações relacionadas a operadores irregulares.

As discussões também envolvem a proteção dos apostadores. O Ministério da Fazenda mantém regras específicas para jogo responsável e publicidade, incluindo mecanismos de prevenção e proteção aos consumidores.

Debate envolve futebol e proteção aos apostadores

Os clubes defendem que a regulamentação seja preservada e aperfeiçoada, com maior fiscalização das plataformas clandestinas. Para as entidades esportivas, mudanças bruscas poderiam reduzir investimentos no futebol sem necessariamente eliminar a atividade de apostas.

Do outro lado, o governo vem destacando os efeitos das apostas sobre a renda das famílias e a necessidade de ampliar mecanismos de proteção. O ministro da Fazenda afirmou que a preocupação central é reduzir o impacto financeiro das apostas sobre os brasileiros.

Dessa forma, o debate reúne interesses distintos: de um lado, clubes e entidades esportivas preocupados com os efeitos econômicos de eventuais restrições; de outro, o governo, que avalia novas medidas diante das preocupações relacionadas ao endividamento e ao comportamento de aposta. Até o momento considerado nesta apuração, não havia uma decisão definitiva sobre uma mudança ampla na regulamentação.

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