Eleições 2026
Direita amplia bancada no Senado e Lula registra pior votação em primeiro turno desde 1998
Flávio Bolsonaro obteve 56,1 milhões de votos contra 53,9 milhões de Lula; PL elegeu 19 senadores e deve ocupar 28 cadeiras a partir de 2027
O primeiro turno das eleições de 2026 terminou com uma mudança significativa na composição do poder político no país. Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado para a Presidência, com 56,1 milhões de votos e 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 53,9 milhões, correspondentes a 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
O resultado representa o menor percentual obtido por Lula em um primeiro turno desde 1998. Naquele ano, o petista alcançou 31,71% dos votos válidos. Nas eleições seguintes em que concorreu à Presidência, marcou 46,44% em 2002, 48,61% em 2006 e 48,43% em 2022.
Em relação a 2022, Lula recebeu aproximadamente 3,4 milhões de votos a menos. Já Flávio superou em cerca de 5 milhões de votos o resultado obtido por Jair Bolsonaro no primeiro turno daquele ano.
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Minas Gerais muda de lado
Um dos resultados de maior repercussão ocorreu em Minas Gerais. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente, com cerca de 5,77 milhões de votos, contra 5,18 milhões de Lula. O candidato do PL ficou com 48,24% dos votos válidos no estado, enquanto o petista teve 43,33%.
O resultado chama atenção porque Minas Gerais é considerado um dos principais estados de referência das eleições presidenciais. Desde a redemocratização, nenhum candidato venceu a Presidência sem também obter a maioria dos votos mineiros.
Apesar da vantagem de Flávio no total estadual, Lula foi mais votado em 452 municípios mineiros, contra 401 em que o candidato do PL terminou na liderança. A diferença esteve principalmente nos municípios mais populosos, nos quais Flávio obteve vantagem.
PL amplia bancada no Senado
O desempenho nacional também se refletiu na eleição para o Senado. O PL elegeu 19 senadores neste primeiro turno e deverá iniciar 2027 com 28 representantes, considerando os nove parlamentares que já possuem mandato. Será a maior bancada partidária da Casa no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988.
O PT elegeu quatro novos senadores e deverá manter nove representantes. O MDB ficará com oito, enquanto PSD terá cinco, PSB quatro e Novo três. A Federação União-Progressistas terá 11 senadores.
A nova composição modifica a distribuição de forças no Senado a partir de fevereiro de 2027, quando os eleitos tomarão posse para mandatos de oito anos.
Partido também avança nos governos estaduais
O PL elegeu cinco governadores no primeiro turno: Sergio Moro, no Paraná; Marcos Rogério, em Rondônia; Arthur Henrique, em Roraima; Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul; e Jorginho Mello, em Santa Catarina. Com isso, o partido passa a comandar cinco estados a partir de 2027.
A legenda ainda pode ampliar esse número para sete. No Rio de Janeiro, Douglas Ruas disputará o segundo turno contra Eduardo Paes. No Amazonas, Maria do Carmo também avançou para a segunda etapa da disputa.
No Paraná, Sergio Moro foi eleito já no primeiro turno. Em Rondônia, Marcos Rogério também garantiu a vitória sem necessidade de uma segunda votação. Em Roraima, Arthur Henrique venceu com 69,13% dos votos válidos.
O novo cenário para o segundo turno
A votação de 4 de outubro deixou uma disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro e, paralelamente, produziu mudanças na representação do Congresso e nos governos estaduais.
O resultado também mostrou diferenças regionais importantes. Flávio terminou à frente em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula venceu em 12 estados. O petista manteve vantagem principalmente no Nordeste, enquanto o candidato do PL teve desempenho superior em outras regiões.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, os dois candidatos voltam agora a buscar os eleitores que escolheram outras candidaturas ou não participaram da primeira votação. O novo resultado definirá quem ocupará a Presidência no período de 2027 a 2030.
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