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23 de setembro de 2026

Eleições 2026

Empresário doa R$ 500 mil para Flávio Bolsonaro e Lula na mesma eleição

CEO da maior produtora de biodiesel do Brasil fez repasses idênticos aos dois candidatos; campanha presidencial já recebeu mais de R$ 10 milhões em doações de pessoas físicas

Por Antônio Miranda
Empresário doa R$ 500 mil para Flávio Bolsonaro e Lula na mesma eleição
Empresário doa R$ 500 mil para Flávio Bolsonaro e Lula na mesma eleição

O empresário Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, maior produtora de biodiesel do Brasil segundo a Agência Nacional do Petróleo, realizou doações de R$ 500 mil tanto para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) quanto para a do presidente Lula (PT). Os valores representam as maiores contribuições individuais recebidas por ambos os candidatos até o momento.

Em nota, o empresário afirmou que as doações foram feitas como pessoa física e dentro dos limites estabelecidos pela legislação eleitoral, reforçando seu “compromisso com as melhores práticas de governança, integridade e transparência”.

Até terça-feira (22), os principais candidatos à Presidência haviam declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mais de R$ 10 milhões em doações de pessoas físicas. A distribuição varia significativamente entre as candidaturas: Flávio Bolsonaro lidera com R$ 2,9 milhões, seguido por Ronaldo Caiado (PSD) com R$ 2,5 milhões, Renan Santos (Missão) com R$ 2,2 milhões, Lula com R$ 1,4 milhão, Augusto Cury (Avante) com R$ 562 mil e Romeu Zema (Novo) com R$ 300 mil.

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Perfis distintos de apoio

A campanha de Flávio Bolsonaro recebeu contribuições principalmente de empresários e produtores rurais. A família Verdi, proprietária do Grupo Rodobens, destinou R$ 300 mil ao candidato através de diferentes membros. Executivos da Vicunha Têxtil, fabricante de jeans, contribuíram com R$ 225 mil no total.

Entre os doadores de Flávio também estão o prefeito de Chapadão do Sul (MS), Walter Schlatter, com R$ 300 mil, e o CEO da Ultrapar, Rodrigo Pizzinatto, com R$ 100 mil. A empresa administra o Grupo Ultra, que controla marcas como Posto Ipiranga e Ultragaz.

Já Lula recebeu tanto transferências em dinheiro quanto prestações de serviços. O cantor gospel e pastor Kleber Lucas declarou R$ 30 mil pela gravação de áudio de jingle e clipe para a campanha. Entre os doadores estão Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha, e Luiz Marinho, atual ministro do Trabalho e Emprego.

Acadêmicos também contribuíram com a campanha petista, como Rabih Nasser, professor da Fundação Getulio Vargas, e Mayra Cristina da Luz Pádua Guimarães, doutoranda em enfermagem na Universidade de São Paulo, com valores entre R$ 15 mil e R$ 50 mil.

Outras campanhas

Ronaldo Caiado recebeu a maior doação individual entre todos os presidenciáveis: R$ 2,3 milhões do jurista e empresário Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso, proprietário de um cartório de registro de imóveis no Distrito Federal. O ex-governador de Goiás também obteve contribuições de membros de sua equipe, como o coordenador Aldo Rebelo e o ex-deputado federal Roberto Brant.

Renan Santos tem a maior parte de sua campanha financiada por meio de vaquinhas eleitorais, que somam R$ 2 milhões. Fora do financiamento coletivo, recebeu doações de R$ 50 mil dos filhos do ex-presidente do Banco Safra, José Olympio Pereira, e do presidente da Cooperativa Agrícola de Unaí (MG), Danilo Julio Gatto.

Augusto Cury é o principal financiador de sua própria campanha, com mais de R$ 100 mil. Seus maiores contribuintes externos são o empresário Jangiê Diniz e Wilson de Matos Silva, fundador e reitor de uma universidade em que Cury foi sócio.

Romeu Zema recebeu R$ 200 mil de Renato Ribeiro Machado, conselheiro de administração e acionista da U&M Mineração e Construção, além de R$ 100 mil dos irmãos Hélio Seibel e Salo Davi Seibel, donos da HS Investimentos.

Regras para doações

A legislação eleitoral permite que qualquer pessoa física apoie financeiramente candidatos ou partidos, desde que de forma identificada e rastreável. Doações em dinheiro são limitadas a 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior à eleição.

Bens e serviços podem ser doados até o valor de R$ 40 mil por doador. Acima desse montante, aplica-se o limite de 10%. Os bens devem pertencer ao doador e os serviços precisam ser prestados por ele próprio, com valores compatíveis aos praticados no mercado.

A arrecadação de recursos pode continuar até o dia da eleição e, após esse período, apenas para quitar despesas de campanha já realizadas mas ainda não pagas.

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