Governo
EUA cobram ação mais dura do Brasil contra PCC e Comando Vermelho
Porta-voz do Departamento de Estado diz que país não enfrentou facções suficientemente e afirma que grupos atuam em 12 estados americanos
Os Estados Unidos pressionam o governo brasileiro por medidas mais agressivas contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. A cobrança foi feita pela porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, que afirmou que o Brasil ainda não confrontou as facções de maneira suficiente.
A declaração ocorre dias após Washington classificar as duas organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas, decisão que gerou reação do governo brasileiro.
Segundo a porta-voz americana, há evidências de atuação do PCC e do Comando Vermelho em pelo menos 12 estados nos Estados Unidos. Amanda cobrou que o Brasil trate com seriedade a responsabilidade de combater as facções.
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A representante do governo americano destacou que os dois grupos causam violência e impacto perigoso tanto no Brasil quanto em território americano. Questionada sobre quais ações específicas o governo brasileiro deveria adotar, ela respondeu que cabe ao próprio país decidir as ferramentas a utilizar.
Ausência de comunicação prévia
Amanda Roberson não quis comentar se os Estados Unidos avisaram o Brasil com antecedência sobre as novas sanções. Segundo fontes da diplomacia brasileira, há críticas à ausência de comunicações formais dos americanos sobre medidas adotadas contra o Brasil, com alegações de que em muitos casos o país toma conhecimento das ações pela imprensa.
Escudo das Américas
A porta-voz também foi questionada sobre a ausência brasileira no Escudo das Américas, grupo criado em março pelos Estados Unidos para combater o narcotráfico em parceria com países da América Latina. Amanda limitou-se a dizer que a iniciativa é uma das ferramentas utilizadas para promover a segurança no hemisfério.
Sobre um possível convite ao Brasil para integrar a iniciativa ou participar da reunião realizada durante a Assembleia Geral da ONU, a porta-voz não respondeu. Ela afirmou, porém, que os Estados Unidos estão trabalhando com o Brasil por meio de relações bilaterais, ainda que o país não integre o grupo.
Segundo Amanda, os membros do Escudo das Américas são países que já adotam uma linha de trabalho com os Estados Unidos, mas há coordenação também com o Brasil por outros canais.
Vistos negados
Questionada sobre a negativa de vistos a autoridades brasileiras que teriam sido designadas para trabalhar no combate a crimes transnacionais com agências federais americanas, a porta-voz não comentou casos específicos. Fontes do governo brasileiro consideram isso um indício de que o interesse americano não seria combater o crime, mas ampliar ingerência sobre o Brasil.
Ao responder às críticas brasileiras de que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas teria como objetivo ampliar a ingerência americana, Amanda afirmou que a prioridade de Washington é proteger os Estados Unidos. Ela disse que as decisões de designar as facções e outros 22 grupos no hemisfério são tomadas para proteger território americano.
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