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2 de outubro de 2026

Eleições 2026

Governo negocia votação do fim da escala 6×1 logo após primeiro turno

Acordo entre Planalto e cúpula do Senado pode levar proposta a plenário entre os dois turnos das eleições presidenciais; estratégia busca fortalecer Lula em disputa acirrada com Flávio Bolsonaro

Por Anna Luiza Bastos
Governo negocia votação do fim da escala 6x1 logo após primeiro turno
Governo negocia votação do fim da escala 6x1 logo após primeiro turno

O governo federal tenta viabilizar um acordo com a cúpula do Senado para votar a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais. Segundo informações de bastidores divulgadas pela CNN Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu sinais positivos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a possibilidade de colocar a matéria em votação. Ainda não há uma data confirmada. 

A expectativa é que a proposta possa chegar ao plenário na semana seguinte ao primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A articulação ocorre depois de tentativas anteriores de votação que não avançaram, apesar de o texto ter sido aprovado pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Proposta prevê jornada de 40 horas semanais

A proposta de emenda à Constituição (PEC 221/2019) foi aprovada pelos deputados em maio de 2026 e estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, distribuída em cinco dias de trabalho, com dois dias de descanso e sem redução salarial. No Senado, a CCJ aprovou o texto em 2 de setembro, mas a votação em plenário não ocorreu.

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A proposta precisa passar por dois turnos de votação no Senado e obter pelo menos 49 votos favoráveis em cada um deles. Por se tratar de uma PEC, o calendário também depende do cumprimento das etapas regimentais, embora os prazos possam ser reduzidos mediante acordo.

Em setembro, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a base aliada pretendia votar a matéria até o fim de outubro. A tentativa de avançar antes do primeiro turno foi frustrada pela falta de condições para levar o texto ao plenário.

Pauta trabalhista ganha relevância eleitoral

A discussão sobre a jornada de trabalho também adquiriu importância no contexto da campanha presidencial. Integrantes da campanha de Lula consideram que o avanço da proposta pode reforçar a agenda trabalhista do governo na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O fim da escala 6×1 é uma das pautas defendidas pelo presidente e prevê mudanças na organização da jornada semanal de milhões de trabalhadores. A tentativa de votação entre os turnos permitiria que o tema voltasse ao centro do debate eleitoral, embora a aprovação ainda dependa dos votos necessários no Senado.

A negociação com Alcolumbre ocorre após uma reaproximação entre o presidente da República e a cúpula do Congresso. Em agosto, Lula se reuniu com Alcolumbre e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir prioridades legislativas, entre elas a redução da jornada de trabalho.

Oposição questiona o modelo de redução da jornada

No Senado, parlamentares contrários à proposta defendem alternativas para organizar a jornada de trabalho. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, apresentou uma proposta que mantém a possibilidade da escala 6×1 e das 44 horas semanais, permitindo diferentes arranjos por meio de negociação entre empregadores e trabalhadores.

O debate envolve questões como os efeitos econômicos da redução da jornada, a organização das escalas em diferentes setores e a manutenção dos salários. Para que a PEC avance, o governo precisará reunir apoio suficiente entre os senadores e superar eventuais tentativas de obstrução.

Campanhas avaliam o cenário após o primeiro turno

Enquanto o governo tenta destravar a votação, a campanha de Flávio Bolsonaro busca ampliar alianças políticas após o primeiro turno. Integrantes do PL apostam na formação de uma base parlamentar alinhada ao candidato e pretendem negociar apoio com partidos e lideranças que não integraram a coligação inicial.

A composição do próximo Congresso, porém, só será conhecida após a apuração das eleições legislativas. Até lá, as projeções sobre a distribuição de forças permanecem sujeitas ao resultado das urnas.

A eventual votação da escala 6×1 entre os turnos depende, portanto, da confirmação de um acordo político, da organização da pauta pelo Senado e da obtenção dos votos exigidos para uma mudança constitucional.

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