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4 de outubro de 2026

Eleições 2026

Guilherme Derrite e André do Prado são eleitos senadores por São Paulo

Aliados de Tarcísio de Freitas e de Flávio Bolsonaro derrotam Marina Silva e Simone Tebet em disputa acirrada pelas duas cadeiras no Senado Federal

Por Matias Oliveira
Guilherme Derrite e André do Prado são eleitos senadores por São Paulo

Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) foram eleitos senadores por São Paulo neste domingo. O Tribunal Regional Eleitoral divulgou o resultado às 19h30, quando Derrite registrava 30,72% dos votos e André do Prado, 29,38%.

A disputa pelas duas cadeiras em jogo foi marcada por um intenso equilíbrio durante toda a campanha. Derrite e Prado contaram com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), apresentando-se como uma bancada alinhada ao campo conservador e crítica ao governo federal.

As ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), derrotadas na disputa, integravam a chapa do presidente Lula (PT) e do ex-ministro Fernando Haddad (PT), defendendo a reconstrução da base governista no Congresso.

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Pesquisas refletiram disputa equilibrada

As pesquisas de intenção de voto demonstraram o acirramento da corrida eleitoral. Nos cinco levantamentos da Quaest encomendados pela Globo, Derrite liderou quatro, com índices que variaram de 12% a 25%. A exceção ocorreu em pesquisa divulgada no dia 8 de setembro, quando Marina apareceu em primeiro lugar.

No Datafolha, o cenário foi diferente. Nas quatro pesquisas realizadas pelo instituto, Marina liderou em três oportunidades. Derrite ficou na primeira posição apenas no levantamento divulgado no sábado, véspera da votação.

Diferentemente da eleição para o governo estadual, em que Tarcísio manteve vantagem confortável durante toda a campanha, a disputa pelas duas cadeiras do Senado permaneceu indefinida até os últimos dias.

Conflito interno no campo conservador

A eleição provocou turbulência dentro da própria direita. A candidatura independente de Ricardo Salles (Novo) abriu uma frente de conflito, colocando em lados opostos dois ex-integrantes do governo Bolsonaro.

Durante a campanha, Salles concentrou ataques em André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), alegando que o adversário não representava a direita, mas sim o “Centrão”. O ex-ministro chamava Prado de “filhote”, “cria” e “pupilo” de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, afirmando que ele se apresentava como conservador apenas para atrair votos do eleitorado bolsonarista.

As críticas geraram disputas judiciais. Em agosto, o TRE-SP condenou Salles ao pagamento de multa de R$ 10 mil por propaganda eleitoral antecipada e disseminação de conteúdo depreciativo contra Prado. No mês seguinte, a corte determinou a retirada de vídeos publicados pelo candidato do Novo e aplicou nova multa de R$ 5 mil por divulgar informações consideradas falsas contra o presidente da Alesp.

Seis dias antes da eleição, Salles desistiu da disputa e anunciou apoio justamente a Derrite e André do Prado. O ex-ministro justificou a decisão afirmando que divergências entre candidatos do mesmo campo político precisavam ser deixadas de lado diante do risco de uma nova vitória nacional de Lula, defendendo a união da direita.

Debate ausente e ataques a “forasteiras”

Pela primeira vez, o g1 promoveu um debate com candidatos ao Senado. Participaram do evento Geraldo Rufino (Podemos), Soninha Francine (Cidadania), Marina Silva e Simone Tebet. Prado e Derrite haviam confirmado presença, mas desistiram horas antes do debate.

Marina Silva e Simone Tebet enfrentaram ataques recorrentes dos adversários por não terem nascido em São Paulo. Natural do Acre, Marina foi alvo frequente de críticas de Ricardo Salles, que questionava sua ligação com o estado. Tebet, nascida em Mato Grosso do Sul, também foi citada pelos adversários como exemplo de uma candidatura sem raízes políticas paulistas.

O argumento buscava explorar um sentimento regionalista entre parte do eleitorado, mas era rebatido pelas campanhas das ex-ministras. Aliados lembravam que o próprio governador Tarcísio de Freitas, principal cabo eleitoral de Derrite e Prado, nasceu no Rio de Janeiro e construiu sua carreira política em São Paulo.

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