Mercado Financeiro
Ibovespa cai 0,26% em quarto pregão consecutivo de baixa com peso das eleições
Índice encerrou aos 182.991 pontos em sessão volátil, pressionado por cautela eleitoral e ambiente externo negativo, mas com alívio de Petrobras após alta do petróleo
O Ibovespa fechou a segunda-feira (28) em queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, acumulando o quarto pregão consecutivo de baixa. O índice oscilou entre 181.931,36 e 184.094,65 pontos ao longo do dia, enquanto investidores acompanharam as novas pesquisas eleitorais no Brasil e a pressão dos mercados internacionais.
A proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, colocou o cenário político novamente entre os principais fatores observados pelos investidores. Ao mesmo tempo, a alta e a volatilidade do petróleo, o avanço dos rendimentos dos títulos americanos e a queda das bolsas de Nova York contribuíram para um ambiente de maior cautela.
As ações da Petrobras funcionaram como um dos principais pontos de sustentação do índice. Petrobras ON (PETR3) subiu 1,83%, enquanto Petrobras PN (PETR4) avançou 1,52%, acompanhando o comportamento da commodity no mercado internacional.
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Pesquisas eleitorais entram no radar
Duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira mostraram novos números da corrida presidencial e passaram a fazer parte das avaliações do mercado.
No levantamento BTG/Nexus, Lula aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Em uma simulação de segundo turno, os percentuais são de 46% e 44%, respectivamente, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Já a pesquisa Quaest registrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 34% no primeiro turno. No cenário de segundo turno entre os dois, houve empate em 42% para cada candidato. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Analistas ouvidos pela imprensa avaliaram que a proximidade da votação tende a manter os investidores atentos às pesquisas e às possíveis mudanças nas expectativas para o cenário econômico após a eleição. O chamado S&P/B3 Ibovespa VIX, indicador de volatilidade implícita do mercado acionário brasileiro, avançou 4,29% na sessão.
Exterior também pressiona os ativos
O ambiente internacional adicionou outro componente de cautela ao pregão. Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,77%, enquanto Dow Jones e Nasdaq também terminaram o dia no campo negativo. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos chegaram a níveis mais elevados durante a sessão, aumentando a atenção dos investidores para a trajetória dos juros nos Estados Unidos.
O petróleo também teve um dia de forte oscilação. O Brent chegou a avançar durante o pregão em meio às incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã e a situação do Estreito de Ormuz. Ao final da sessão, diferentes contratos registraram valores distintos conforme o vencimento considerado, com as cotações permanecendo em patamar elevado.
A movimentação da commodity beneficiou as empresas brasileiras ligadas ao setor de petróleo e ajudou a compensar parte das perdas de outros segmentos da bolsa.
Bancos ficam entre as quedas
Enquanto as petroleiras avançaram, os grandes bancos terminaram o pregão em baixa.
O Bradesco PN (BBDC4) recuou 1,23%, o Itaú PN (ITUB4) caiu 1%, e o Banco do Brasil ON (BBAS3) perdeu 0,46%. O BTG Pactual também terminou o dia no vermelho, com queda de 0,72%.
O setor financeiro esteve entre os grupos que pressionaram o Ibovespa, em uma sessão na qual os investidores também avaliaram medidas econômicas anunciadas pelo governo, entre elas o novo programa de renegociação de dívidas.
Petrobras e Vale ajudam a limitar a queda
Além da Petrobras, a Vale ON (VALE3) terminou o pregão com alta de 0,55%, mesmo diante da queda dos contratos futuros de minério de ferro na China.
A Ultrapar (UGPA3) subiu 2,13%, em movimento de recuperação após perdas nas sessões anteriores.
Entre as maiores altas do dia também ficaram empresas ligadas ao petróleo, como PRIO, que avançou 3,84%, e Brava Energia, com alta de 3,16%. A valorização acompanhou o desempenho da commodity no mercado internacional.
No sentido contrário, a Natura teve uma das maiores quedas do índice, de 5,76%, seguida pela Azzas 2154, que recuou 5,25%, devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior.
Nu cai 10% em Nova York
No mercado americano, o Nubank teve forte queda, de aproximadamente 10%. Entre os fatores acompanhados pelos investidores estavam informações sobre conversas preliminares envolvendo a possível aquisição de um banco digital britânico.
No mercado de câmbio brasileiro, o dólar à vista avançou e encerrou o dia próximo de R$ 5,22, também refletindo a cautela com o cenário eleitoral e o ambiente internacional.
Mercado aguarda eleição e dados dos EUA
Para os próximos pregões, o calendário combina eventos domésticos e internacionais. No Brasil, a evolução das pesquisas e as movimentações dos candidatos devem continuar influenciando as expectativas dos investidores antes do primeiro turno.
No exterior, a atenção se volta para os indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos, incluindo o payroll previsto para sexta-feira (2). Os números serão acompanhados pelos investidores em busca de sinais sobre a trajetória da inflação, dos juros e das próximas decisões do Federal Reserve.
Com a eleição brasileira e os indicadores americanos concentrando as atenções, o mercado deve permanecer sensível tanto às notícias políticas domésticas quanto às mudanças nas expectativas para a política monetária internacional.
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