Eleições 2026
Lula busca reeleição aos 80 anos com acordo para votar fim da escala 6×1
Presidente fechou acordo com Davi Alcolumbre para levar tema ao Senado na próxima semana; estratégia visa ampliar vantagem no primeiro turno neste domingo
Aos 80 anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputa neste domingo (4) o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 em busca da reeleição e de um quarto mandato no Palácio do Planalto. O petista é o primeiro político brasileiro vitorioso em três eleições presidenciais — foi eleito em 2002, 2006 e 2022, após ser derrotado em 1989, 1994 e 1998.
Na reta final da campanha, o governo articulou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a votação do fim da escala de trabalho 6×1. Alcolumbre confirmou na sexta-feira (2) que levará o tema à discussão já na próxima semana. A proposta, que havia sido aprovada na Câmara, estava parada no Senado.
A estratégia governista aposta no tema como forma de ampliar a vantagem nas urnas no primeiro turno. O objetivo é que o presidente entre no segundo turno na dianteira, com uma diferença entre 5 e 7 pontos percentuais, segundo estimativas da campanha petista.
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Trajetória política
Nascido em 27 de outubro de 1945 em Garanhuns, no interior de Pernambuco, Lula é filho de lavradores e migrou para São Paulo aos sete anos. Trabalhou como engraxate, office boy e torneiro mecânico, perdendo o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho aos 17 anos.
O petista ganhou projeção nacional ao liderar as greves de metalúrgicos no ABC paulista durante a ditadura militar, quando chegou a ficar 31 dias preso em 1980 com base na Lei de Segurança Nacional. No mesmo ano, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.
Após derrotas em três eleições presidenciais, Lula foi eleito pela primeira vez em 2002 com 52,7 milhões de votos, tornando-se o primeiro operário a governar o Brasil. Foi reeleito em 2006 com 58,2 milhões de votos e, após um intervalo, voltou à Presidência em 2023 com 60,3 milhões de votos, derrotando Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno.
Mandato atual
No terceiro mandato, iniciado em 2023, o governo enfrentou crises como o escândalo de fraudes no INSS, com descontos indevidos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024, que levou à troca do comando do instituto e à substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social.
O governo também lidou com investigações autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sobre suposto tráfico de influência de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente, no Ministério da Saúde e na Dataprev.
Na economia, o governo aprovou a reforma tributária no Congresso Nacional e ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda. O Brasil saiu do Mapa da Fome, segundo dados oficiais, e houve expansão de programas de moradia e transferência de renda.
O presidente foi criticado pela estratégia econômica marcada pelo aumento de gastos públicos e por críticas públicas ao Banco Central em razão da taxa básica de juros. No plano internacional, o governo precisou lidar com crises no Oriente Médio e com a política tarifária dos Estados Unidos, incluindo embates públicos com Donald Trump.
Recentemente, Lula articulou com o Congresso o fim da taxa das blusinhas — imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, sancionada em setembro. Na semana passada, anunciou a proibição total de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets, incluindo jogos online e cassinos virtuais, revertendo a regulamentação que ele mesmo havia sancionado no fim de 2023.
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