Eleições 2026
Lula chama adversário de “chefe de quadrilha” em último ato antes do 1º turno
Em comício na Rua Augusta, presidente associou opositores ao crime organizado e citou caso da "quadrilha da Previdência" envolvendo Daniel Vorcaro, sem mencionar Flávio Bolsonaro nominalmente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou neste sábado (3) o último ato de campanha em São Paulo, na Rua Augusta, véspera do primeiro turno das eleições. Durante o evento, que contou com a presença das ministras Marina Silva e Simone Tebet, além do prefeito Fernando Haddad, Lula afirmou que seu grupo político enfrenta um “chefe de quadrilha” e o crime organizado, sem citar o nome do adversário Flávio Bolsonaro.
“De um lado a democracia e a soberania, do outro lado a barbárie e a corrupção. Nós estamos trabalhando contra um chefe de quadrilha. Estamos trabalhando contra crime organizado”, declarou o presidente, que pediu aos apoiadores para mobilizarem eleitores até a votação de domingo (4).
Lula orientou que ninguém descansasse após a passeata e convocou os presentes a conversar com pessoas “na rua, no bar, na igreja, no comércio” para garantir a ida às urnas. O petista também afirmou esperar vencer no primeiro turno e convocou apoiadores a ocupar a Avenida Paulista após a votação.
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Caso da Previdência
Durante o discurso, o presidente associou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro a irregularidades na Previdência Social e mencionou o banqueiro Daniel Vorcaro. “Essa é a caminhada que prendeu a quadrilha da Previdência Social criada pelo Bolsonaro, que tornou o banqueiro prisioneiro, o [Daniel] Vorcaro. E eles estão com muito medo porque a cada dia aparece coisa nova”, afirmou.
O caso do INSS passou a integrar tanto a campanha presidencial quanto a disputa eleitoral de Flávio Bolsonaro, que usou o episódio para associar Lula e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao escândalo. A defesa de Lulinha negou relação com as irregularidades.
Vorcaro chegou a se reunir com Lula no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, encontro que não constou da agenda oficial. Em fevereiro de 2025, o presidente confirmou a reunião e afirmou ter dito ao empresário que não haveria “posição política pró ou contra o Banco Master”, mas uma investigação técnica do Banco Central.
Estratégia eleitoral
No discurso, Lula repetiu a estratégia de apresentar a eleição como disputa entre campos antagônicos. “De um lado está a democracia, aqueles que defendem os direitos humanos, educação, ciência e tecnologia, cidadania, e do outro lado está a barbárie”, disse o presidente, que prometeu uma “revolução educacional e tecnológica” em eventual novo mandato.
O petista também fez apelo a eleitores mais velhos, citando a própria idade: “Precisamos convencer as pessoas de 70 anos que eles precisam votar pelos seus filhos, seus netos e seus bisnetos. Ninguém pode se considerar incapaz com 70 anos. Eu tenho 80 e me sinto um menino de 15”.
Cartão de crédito
Lula voltou a defender que bancos sejam proibidos de enviar cartões de crédito sem solicitação prévia, tema que entrou na reta final da campanha. Na quinta-feira (1º), o presidente disse pela primeira vez estar discutindo com o Banco Central limites à distribuição de cartões, declaração que repercutiu entre adversários.
“O que eu acho é que o cartão de crédito tem que ser distribuído com seriedade para quem pedir cartão de crédito. O banco não pode ficar mandando para a casa das pessoas sem as pessoas pedirem”, afirmou neste sábado. “No quarto mandato vamos moralizar essa coisa do crédito Brasil. O sistema financeiro quer ganhar dinheiro, ganhe dinheiro investindo na produção e não extorquindo o povo brasileiro com taxa de juros impagáveis.”
Na sexta-feira (2), o presidente havia se posicionado nas redes sociais afirmando que adversários defendem “bilionários donos de operadoras de cartões” e garantindo que “cada cidadão tem o direito de ter quantos cartões de crédito quiser”.
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