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3 de outubro de 2026

Eleições 2026

Lula chama adversário de “chefe de quadrilha” em último ato antes do 1º turno

Em comício na Rua Augusta, presidente associou opositores ao crime organizado e citou caso da "quadrilha da Previdência" envolvendo Daniel Vorcaro, sem mencionar Flávio Bolsonaro nominalmente

Por Antônio Miranda
Lula chama adversário de "chefe de quadrilha" em último ato antes do 1º turno
Lula chama adversário de "chefe de quadrilha" em último ato antes do 1º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou neste sábado (3) o último ato de campanha em São Paulo, na Rua Augusta, véspera do primeiro turno das eleições. Durante o evento, que contou com a presença das ministras Marina Silva e Simone Tebet, além do prefeito Fernando Haddad, Lula afirmou que seu grupo político enfrenta um “chefe de quadrilha” e o crime organizado, sem citar o nome do adversário Flávio Bolsonaro.

“De um lado a democracia e a soberania, do outro lado a barbárie e a corrupção. Nós estamos trabalhando contra um chefe de quadrilha. Estamos trabalhando contra crime organizado”, declarou o presidente, que pediu aos apoiadores para mobilizarem eleitores até a votação de domingo (4).

Lula orientou que ninguém descansasse após a passeata e convocou os presentes a conversar com pessoas “na rua, no bar, na igreja, no comércio” para garantir a ida às urnas. O petista também afirmou esperar vencer no primeiro turno e convocou apoiadores a ocupar a Avenida Paulista após a votação.

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Caso da Previdência

Durante o discurso, o presidente associou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro a irregularidades na Previdência Social e mencionou o banqueiro Daniel Vorcaro. “Essa é a caminhada que prendeu a quadrilha da Previdência Social criada pelo Bolsonaro, que tornou o banqueiro prisioneiro, o [Daniel] Vorcaro. E eles estão com muito medo porque a cada dia aparece coisa nova”, afirmou.

O caso do INSS passou a integrar tanto a campanha presidencial quanto a disputa eleitoral de Flávio Bolsonaro, que usou o episódio para associar Lula e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao escândalo. A defesa de Lulinha negou relação com as irregularidades.

Vorcaro chegou a se reunir com Lula no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, encontro que não constou da agenda oficial. Em fevereiro de 2025, o presidente confirmou a reunião e afirmou ter dito ao empresário que não haveria “posição política pró ou contra o Banco Master”, mas uma investigação técnica do Banco Central.

Estratégia eleitoral

No discurso, Lula repetiu a estratégia de apresentar a eleição como disputa entre campos antagônicos. “De um lado está a democracia, aqueles que defendem os direitos humanos, educação, ciência e tecnologia, cidadania, e do outro lado está a barbárie”, disse o presidente, que prometeu uma “revolução educacional e tecnológica” em eventual novo mandato.

O petista também fez apelo a eleitores mais velhos, citando a própria idade: “Precisamos convencer as pessoas de 70 anos que eles precisam votar pelos seus filhos, seus netos e seus bisnetos. Ninguém pode se considerar incapaz com 70 anos. Eu tenho 80 e me sinto um menino de 15”.

Cartão de crédito

Lula voltou a defender que bancos sejam proibidos de enviar cartões de crédito sem solicitação prévia, tema que entrou na reta final da campanha. Na quinta-feira (1º), o presidente disse pela primeira vez estar discutindo com o Banco Central limites à distribuição de cartões, declaração que repercutiu entre adversários.

“O que eu acho é que o cartão de crédito tem que ser distribuído com seriedade para quem pedir cartão de crédito. O banco não pode ficar mandando para a casa das pessoas sem as pessoas pedirem”, afirmou neste sábado. “No quarto mandato vamos moralizar essa coisa do crédito Brasil. O sistema financeiro quer ganhar dinheiro, ganhe dinheiro investindo na produção e não extorquindo o povo brasileiro com taxa de juros impagáveis.”

Na sexta-feira (2), o presidente havia se posicionado nas redes sociais afirmando que adversários defendem “bilionários donos de operadoras de cartões” e garantindo que “cada cidadão tem o direito de ter quantos cartões de crédito quiser”.

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