Premier League
Manchester City tentará culpar governo de Abu Dhabi após condenação por violações financeiras
Clube inglês tem até sexta-feira para apresentar recurso e alega que recursos vieram do governo, não dos proprietários privados
O Manchester City tem até esta sexta-feira (2 de outubro) para recorrer da decisão que considerou o clube culpado por 114 das 115 acusações de violações financeiras apresentadas pela Premier League. A punição ainda não foi definida, e o recurso anunciado pelo clube será inicialmente contra o veredito de culpabilidade.
Um dos principais argumentos da defesa será questionar a origem de parte dos valores registrados como receitas de patrocínio entre 2009 e 2018. Segundo informações divulgadas pelo Daily Mail e pelo The Times, o City pretende apresentar documentos para sustentar que os recursos foram fornecidos por órgãos do governo de Abu Dhabi a empresas patrocinadoras, e não pelo Abu Dhabi United Group (ADUG), veículo ligado ao proprietário Sheikh Mansour.
A comissão independente, porém, rejeitou essa explicação no julgamento. De acordo com a decisão, o City registrou cerca de £949,94 milhões em receitas de patrocínio de empresas de Abu Dhabi durante nove temporadas, mas £830,69 milhões desse valor teriam sido pagos pelo ADUG e contabilizados como receitas comerciais. A comissão concluiu que os acordos faziam parte de um esquema para caracterizar recursos do proprietário como receitas de patrocínio.
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E-mails e fluxo dos recursos
Entre as evidências analisadas pela comissão estavam e-mails internos e documentos relacionados à movimentação dos recursos. A decisão apontou que parte dos acordos de patrocínio funcionava como uma forma de financiamento disfarçado, com os patrocinadores pagando apenas uma parcela dos valores registrados pelo clube e o restante sendo coberto pelo ADUG.
A defesa pretende contestar essa interpretação e apresentar registros bancários, transferências financeiras e depoimentos para sustentar que os valores não vieram de Sheikh Mansour. O CEO do City, Ferran Soriano, afirmou que o clube possui “provas irrefutáveis” para demonstrar sua versão dos fatos.
Argumentos para o recurso
Outro ponto que deverá ser explorado pelo Manchester City é o tempo levado pela comissão para apresentar o veredito. A audiência ocorreu entre setembro e dezembro de 2024, em um processo que durou 42 dias de sessões. A decisão foi publicada apenas em setembro de 2026, quase dois anos após o encerramento da audiência.
O clube também pretende contestar as conclusões sobre os depoimentos apresentados durante o processo. Ao todo, o City apresentou 24 testemunhas, e a comissão afirmou que algumas testemunhas do clube forneceram informações que considerou falsas. A defesa deverá questionar essas conclusões no recurso.
O caso e as acusações
As acusações da Premier League abrangem nove temporadas, entre 2009 e 2018. Elas incluem supostas falhas no fornecimento de informações financeiras precisas, falta de divulgação completa de pagamentos a jogadores e treinadores, violações das regras de Fair Play Financeiro da Uefa e dos regulamentos de rentabilidade e sustentabilidade da Premier League. O clube também foi acusado de não cooperar adequadamente com a investigação.
A comissão considerou o Manchester City culpado em 114 das 115 acusações. Uma das acusações foi rejeitada. O clube nega as irregularidades e afirma que a decisão contém erros de fato, princípio e direito.
O caso é diferente de uma punição aplicada pela Uefa em 2020. Naquele ano, o City recebeu suspensão de dois anos das competições europeias e multa de 30 milhões de euros por supostas violações das regras de Fair Play Financeiro. O Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) anulou a suspensão em julho daquele ano, entendendo que algumas acusações não foram comprovadas ou estavam prescritas. O tribunal, entretanto, manteve uma punição de 10 milhões de euros — posteriormente reportada como £8,8 milhões — por falta de cooperação com a investigação da Uefa.
Punições possíveis
A punição referente ao processo da Premier League ainda será definida em uma etapa separada. A regra W.51 do regulamento permite que a comissão aplique medidas como advertência, multa, dedução de pontos, suspensão ou expulsão da competição. A regra W.51.7 também permite combinar diferentes sanções ou aplicar outra penalidade considerada adequada.
Uma eventual dedução de pontos pode, em determinadas circunstâncias, ter efeito retroativo, embora especialistas em direito esportivo tenham apontado que uma punição desse tipo tende a ser aplicada para temporadas futuras. A possibilidade de expulsão da Premier League também está prevista entre as sanções disponíveis.
O Manchester City deverá apresentar o recurso contra o veredito até sexta-feira (2). A definição da punição e os próximos recursos poderão prolongar o encerramento definitivo do caso.
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