Mineração
Mineradora australiana mira reativar antiga mina de tungstênio da 2ª Guerra no RN
Gold Mountain garantiu exclusividade para avaliar aquisição da Malhada do Angico, área de 857 hectares explorada durante conflito mundial e que abriga mineral estratégico dominado pela China
Uma antiga área de mineração de tungstênio no Seridó, no Rio Grande do Norte, voltou a despertar o interesse do mercado internacional. A australiana Gold Mountain assinou um acordo que lhe dá exclusividade para avaliar a possibilidade de adquirir os direitos sobre a mina Malhada do Angico, próxima a Parelhas.
A área possui aproximadamente 857 hectares e foi explorada durante a Segunda Guerra Mundial. Pelo acordo firmado com a Emprogeo Mining Business EPP, a mineradora terá 12 meses para realizar estudos técnicos, jurídicos e regulatórios antes de decidir se seguirá com a aquisição.
A Gold Mountain já desembolsou R$ 1 milhão pela exclusividade. Caso as etapas previstas no contrato sejam cumpridas, outros R$ 2 milhões poderão ser pagos, elevando o valor potencial da operação a R$ 3 milhões.
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Projeto ganha relevância com alta do tungstênio
O interesse pela área ocorre em um momento de maior atenção internacional ao tungstênio, mineral considerado estratégico para setores como defesa, indústria aeroespacial e fabricação de componentes de alta resistência.
O material também é empregado na produção de ligas metálicas e aços especiais. A China concentra a maior parte da produção mundial, o que aumentou a preocupação de países ocidentais com a dependência do fornecimento externo e estimulou a busca por novas fontes do mineral.
Na antiga mina potiguar, a principal ocorrência está associada à scheelita, mineral de onde é extraído o tungstênio. A operação histórica foi conduzida pela Mineração Fluminense durante a Segunda Guerra Mundial, com o beneficiamento do minério realizado na própria região.
Aquisição depende de análise da ANM
A conclusão da operação ainda depende de uma série de condições. Entre elas está a avaliação do Relatório Final de Pesquisa apresentado à Agência Nacional de Mineração (ANM) em 2016.
Uma segunda parcela de R$ 1 milhão está condicionada a uma decisão favorável da agência e ao resultado das avaliações realizadas pela Gold Mountain. Outro pagamento de R$ 1 milhão dependerá da autorização para a transferência dos direitos minerários para a empresa australiana.
O processo permanece em análise pela ANM. Portanto, o acordo anunciado pela companhia não representa ainda a conclusão da compra da área.
Gold Mountain inicia exploração dos rejeitos
Enquanto avalia a possível aquisição, a empresa já começou uma nova etapa de investigação na região. A primeira frente de trabalho envolve os rejeitos deixados pela antiga atividade de mineração.
A Gold Mountain está utilizando perfurações com trado para verificar a concentração de tungstênio no material acumulado, medir sua espessura e retirar amostras destinadas a testes metalúrgicos. Os primeiros resultados ainda não foram divulgados.
A companhia também planeja realizar sondagem diamantada para investigar a continuidade da mineralização em profundidade e nas proximidades das antigas áreas de lavra.
O programa previsto deverá investigar aproximadamente 2 quilômetros da formação geológica associada ao depósito, com perfurações que podem alcançar cerca de 120 metros de profundidade. O início dessa etapa, porém, depende da obtenção das licenças ambientais e demais autorizações necessárias.
Segundo David Evans, diretor-executivo da Gold Mountain, a empresa pretende avançar com a exploração assim que as autorizações forem obtidas. A companhia também considera os rejeitos históricos uma oportunidade para avaliar o potencial econômico do material já extraído.
A eventual retomada da produção na Malhada do Angico ainda depende dos resultados das pesquisas, das autorizações dos órgãos competentes e da decisão final da Gold Mountain sobre a aquisição dos direitos minerários.
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