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24 de setembro de 2026

Ceará

Namorado de Isabelle Caracristi controlava até ida à farmácia, diz polícia

Delegado afirma que estudante sofria violência psicológica e restrição de liberdade; João Munhoz está preso preventivamente e pode responder por indução ao suicídio

Por Anna Luiza Bastos
Namorado de Isabelle Caracristi controlava até ida à farmácia, diz polícia

A Polícia Civil do Ceará apontou que Isabelle Caracristi, de 22 anos, vivia sob controle do namorado João Munhoz Neto, de 34 anos, que restringia sua liberdade de forma sistemática. Segundo o delegado-geral Márcio Gutiérrez, a estudante não tinha permissão nem para ir sozinha à farmácia ou sair do escritório onde trabalhavam juntos.

As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (23). Isabelle foi encontrada morta no dia 13 de setembro no pátio do condomínio onde morava com João, em Fortaleza. O namorado está preso preventivamente desde terça-feira (22).

De acordo com a corporação, depoimentos de testemunhas corroboram o padrão de comportamento controlador. Gutiérrez afirmou que a restrição à liberdade foi fator decisivo para o pedido de prisão preventiva, destacando que o modo como João agia caracteriza violência psicológica.

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O delegado detalhou que o suspeito constrangia Isabelle, impedia que ela tomasse decisões sobre a própria vida e frequentemente a mantinha isolada no apartamento. A investigação também reuniu informações de que João controlava o uso de cartões bancários da estudante.

A prisão preventiva teve como justificativa evitar a destruição de provas e garantir as condições necessárias para continuidade das investigações. A polícia trabalha com três possibilidades de indiciamento: indução ao suicídio, obstrução de prova e abuso psicológico.

Comportamento após a morte

Além do histórico de controle, a investigação identificou uma série de condutas de João após a morte da namorada. Segundo a polícia, ele não procurou a família de Isabelle e teria orientado a portaria a impedir a entrada dos parentes no prédio.

No dia seguinte à tragédia, João retornou ao condomínio para procurar o celular da jovem nas áreas externas próximas ao local da queda. O apartamento onde o casal morava foi limpo por uma pessoa contratada e posteriormente colocado à venda. João recolheu seus pertences em malas, desativou as redes sociais e, segundo a investigação, deixou de fornecer pontos de contato aos policiais.

Áudio e perícia

Um áudio atribuído à estudante, enviado a familiares horas antes de sua morte, registra relatos sobre comportamento agressivo do namorado. Na gravação, ela afirma: “Esse cara é um louco”. A mensagem foi enviada ao primo e a outras pessoas da família no dia 13 de setembro.

A Perícia Forense do Ceará apresentou nesta quarta-feira a conclusão de 11 laudos sobre o caso. Os peritos sustentam que Isabelle sofreu uma “precipitação voluntária”, termo técnico usado para indicar que a queda teria sido voluntária. A perícia afirmou não ter encontrado sinais de luta corporal no apartamento, nem marcas de agressão física prévia, lesões de defesa ou sinais de esganadura no corpo.

Durante a coletiva, delegados informaram que, com base em depoimentos de testemunhas e imagens de câmeras de segurança, Isabelle teria ido sozinha para o terraço no 23º andar. O delegado-geral destacou que não havia câmeras instaladas no rooftop do condomínio.

O caso ganhou repercussão após a mãe da jovem, a professora Isorlanda Caracristi, publicar um vídeo pedindo justiça e apontando o comportamento controlador e obsessivo do namorado da filha.

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