Economia
Petróleo passa de US$ 100 por barril: veja o que muda no seu bolso agora
A alta do barril e do dólar ainda não chegou às bombas, mas pode pesar no combustível, no mercado, nas passagens e nas compras em dólar. Veja ponto a ponto.
O petróleo voltou a passar dos US$ 100 por barril, e a pergunta que importa para o consumidor é uma só: isso vai custar mais caro para mim? A resposta curta é que, por enquanto, nada mudou nos preços. Mas a pressão aumentou e pode chegar ao dia a dia por vários caminhos.
Na quinta-feira (1º), o Brent, referência internacional, subiu 4,37% e fechou a US$ 102,31. A alta veio depois de informações sobre o envio de mais forças militares dos Estados Unidos ao Oriente Médio, em meio às incertezas sobre o conflito com o Irã. Pesou também a decisão da China de suspender as exportações de diesel, gasolina e querosene de aviação. No mesmo dia, o dólar subiu 0,97% e fechou a R$ 5,224. Nesta sexta-feira (2), seguia perto de R$ 5,22.
Gasolina e álcool.
Até agora, a Petrobras não anunciou reajuste, e os preços nos postos continuam os mesmos. Mas petróleo caro somado a dólar em alta aumenta a diferença entre o preço cobrado no Brasil e o do mercado internacional, e é essa diferença que costuma levar a reajustes.
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Neste ano, o governo já usou subsídios para segurar os preços. Em maio, a Petrobras aumentou a gasolina para as distribuidoras em R$ 0,48 por litro, mas uma subvenção federal de R$ 0,44 reduziu o aumento efetivo para R$ 0,04. Não há anúncio de nova medida desse tipo.
Comida e compras no mercado.
Se o diesel subir, o efeito vai além de quem tem carro. A maior parte do que chega aos supermercados viaja de caminhão, e o frete mais caro tende a ser repassado aos preços dos alimentos e de outros produtos. É um efeito mais lento, que aparece ao longo de semanas.
Passagens aéreas.
O querosene de aviação é um dos principais custos das companhias aéreas e também é afetado pela alta do petróleo. A suspensão das exportações chinesas atingiu justamente esse combustível. Quem planeja viajar pode encontrar tarifas mais altas se a pressão continuar.
Dólar: Viagens e compras no exterior.
O dólar mais alto encarece viagens internacionais, compras em sites estrangeiros e produtos importados, como eletrônicos. Mesmo assim, a moeda americana ainda acumula queda de 4,83% em 2026, então o cenário é melhor do que no início do ano.
Inflação.
Todos esses efeitos acabam na inflação, que já vem pressionada. O IPCA-15 de setembro, prévia da inflação oficial, subiu 0,70%, puxado pelo fim do bônus de Itaipu na conta de luz, e acumula alta de 4,47% em 12 meses. Em setembro, o mercado também elevou a projeção de inflação para 4,99%.
E quem ganha?
Do outro lado, a Petrobras se beneficia do petróleo mais caro. As ações da estatal sustentaram a alta de 0,46% do Ibovespa na quinta, que fechou aos 187.197 pontos.
O que vem pela frente
O impacto no seu bolso vai depender de três fatores: se a tensão no Oriente Médio continua; se a China volta a exportar combustíveis depois do feriado nacional chinês, que termina em 7 de outubro; e se a Petrobras e o governo decidem repassar a alta ou segurar os preços. Por enquanto, os preços não mudaram, mas o risco de aumento cresceu.
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