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20 de setembro de 2026

Supremo Tribunal Federal

Proposta de Gilmar Mendes veta delegados da PF em gabinetes do STF

Mudança no regimento interno afetaria equipes de Moraes e Mendonça e foi apresentada em meio à crise entre ministros e cúpula da Polícia Federal

Por Redação Mancheck
Proposta de Gilmar Mendes veta delegados da PF em gabinetes do STF
Proposta de Gilmar Mendes veta delegados da PF em gabinetes do STF

O ministro Gilmar Mendes protocolou uma proposta de alteração no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal que proíbe policiais e militares de atuarem como assessores nos gabinetes da Corte. A mudança afetaria diretamente as equipes dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que contam com delegados da Polícia Federal em suas estruturas.

A proposta foi formalizada em 5 de setembro, durante o auge da crise institucional envolvendo os dois ministros e a direção da PF. Inicialmente, Gilmar discutia restringir apenas a presença de delegados federais, mas o texto apresentado expandiu o veto para militares das Forças Armadas e integrantes de todas as carreiras policiais previstas na Constituição.

De acordo com o documento, esses profissionais ficariam impedidos de ocupar cargos em comissão ou funções comissionadas nos gabinetes, mesmo quando licenciados ou cedidos por seus órgãos de origem. A única exceção prevista seria para atividades de segurança, mas ainda assim estariam proibidos de participar da instrução de inquéritos, processos ou exercer assessoramento jurídico.

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Contexto da crise

A proposta surge em meio ao agravamento das tensões internas no STF e com a Polícia Federal, após a divulgação de informações das investigações sobre o Banco Master. O conflito ganhou força no início de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens e dados sobre a relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Em resposta, Moraes utilizou relatórios de inteligência da própria corporação para apontar possíveis irregularidades atribuídas a Mendonça na condução dos casos Banco Master e das fraudes nos descontos de aposentados do INSS.

Durante a sessão de 15 de setembro, que analisou o relatório da PF sobre as mensagens envolvendo Moraes, Gilmar voltou a criticar a presença de delegados nos gabinetes. Naquela sessão, marcada por embates entre os ministros, Mendonça e Luiz Fux alegaram a existência de uma chamada “PF paralela” voltada ao monitoramento de integrantes da Corte. Moraes rejeitou a alegação, classificando-a como “patética”.

Posições divergentes

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, manifestou apoio à proposta de Gilmar. Segundo ele, a proibição pode afastar dúvidas sobre a possibilidade de delegados cedidos aos gabinetes atuarem como investigadores e reduzir suspeitas de atuação política.

A cúpula da PF também criticou o rótulo de “PF paralela”, sustentando que a corporação apenas cumpre ordens judiciais.

Em julho, o Ministério da Justiça havia determinado o retorno de 52 servidores da PF cedidos a outros órgãos, mas preservou aqueles que trabalhavam como assessores de ministros do Supremo.

Sobre o gabinete de Fux, que chegou a aparecer em levantamentos como tendo um delegado federal, o próprio STF emitiu nota em 3 de setembro esclarecendo que houve “inconsistência técnica no sistema de cadastro de pessoal” e que o único delegado cujo nome apareceu vinculado não chegou a tomar posse.

Tramitação e efeitos

Caso aprovada, a mudança também alcançará servidores que já atuam na Corte. O texto determina que o presidente do STF providencie o retorno imediato aos órgãos de origem daqueles que estiverem em situação incompatível com a nova regra.

Antes de entrar em vigor, a proposta precisa passar pela Comissão do Regimento do Supremo e, posteriormente, ser discutida pelos ministros em sessão administrativa.

O presidente do STF, Edson Fachin, já havia intervindo na crise em 9 de setembro, suspendendo decisões conflitantes de Mendonça e Dino sobre o afastamento e reintegração da cúpula da PF. Fachin também retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e determinou que investigações envolvendo integrantes do Supremo sejam previamente remetidas à Presidência da Corte.

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