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19 de setembro de 2026

Trânsito

Radar de velocidade média: entenda como funciona sistema que será testado em 8 estados

Sistema registra o veículo em dois ou mais pontos e calcula a velocidade pelo tempo gasto para percorrer o trecho. Testes estão autorizados em oito estados, mas, nesta fase, não haverá multas.

Por Fabio Bastos Atualizado às 15:56
Radar de Velocidade Estados Foto: Mancheck

Uma nova tecnologia de fiscalização de trânsito começa a ser testada em rodovias brasileiras. Em vez de registrar a velocidade do veículo apenas no momento em que ele passa pelo equipamento, o chamado radar de velocidade média acompanha o tempo necessário para percorrer determinado trecho da estrada.

Projetos-piloto foram autorizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em rodovias que passam por oito estados. Os experimentos têm caráter técnico, educativo e experimental e, neste primeiro momento, não poderão gerar multas exclusivamente com base na velocidade média registrada.

A proposta é avaliar se a tecnologia é confiável e como ela pode influenciar o comportamento dos motoristas antes de qualquer eventual adoção definitiva do sistema.

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Como funciona o radar de velocidade média?

A principal diferença está na forma como a velocidade é calculada.

Um radar convencional registra a velocidade praticamente no instante em que o veículo passa pelo equipamento. Por isso, um motorista pode reduzir a velocidade antes do radar e voltar a acelerar depois de ultrapassá-lo.

No sistema de velocidade média, a lógica é diferente.

O veículo é identificado em pelo menos dois pontos de uma rodovia. O sistema registra o horário em que ele passou pelo primeiro equipamento e posteriormente identifica o mesmo veículo em outro ponto.

Como a distância entre os equipamentos é conhecida, o sistema utiliza o tempo gasto no percurso para calcular a velocidade média desenvolvida pelo veículo.

Imagine, por exemplo, um trecho de 10 quilômetros com limite de 100 km/h. Para percorrer essa distância respeitando uma média de 100 km/h, seriam necessários seis minutos.

Caso o mesmo veículo seja identificado no segundo ponto depois de apenas cinco minutos, sua velocidade média naquele percurso terá sido de 120 km/h.

Dessa maneira, simplesmente reduzir a velocidade ao se aproximar de uma câmera deixa de ser suficiente para demonstrar que o limite foi respeitado durante todo o trecho.

Tecnologia identifica o veículo em diferentes pontos

O funcionamento depende da identificação do mesmo veículo nos equipamentos instalados ao longo do percurso.

As câmeras registram informações que permitem relacionar a passagem pelo primeiro ponto à passagem pelo segundo. A partir desses registros, distância e tempo são cruzados para determinar a média.

É uma lógica diferente de tecnologias que utilizam inteligência artificial para identificar outras possíveis infrações, como uso de celular ou ausência do cinto de segurança.

No controle de velocidade média, o elemento central é a combinação entre a identificação do veículo, o horário de passagem e a distância percorrida.

Oito estados participam dos testes

As autorizações abrangem trechos rodoviários em oito estados brasileiros:

  • Espírito Santo: BR-101;

  • Goiás: BR-414;

  • Mato Grosso do Sul: BR-163;

  • Minas Gerais: BR-050, BR-381, BR-040 e BR-116;

  • Paraná: PR-444, PR-862, BR-376, BR-163, BR-277 e PR-151;

  • Rio de Janeiro: BR-101, incluindo a Ponte Rio-Niterói, e BR-116;

  • Rio Grande do Sul: BR-386;

  • Santa Catarina: BR-101.

Os trechos utilizados nos experimentos deverão contar com sinalização informando aos usuários sobre a realização do monitoramento.

Testes terão duração inicial de 180 dias

As autorizações estabelecem períodos experimentais de 180 dias, contados a partir da implantação e do início efetivo do monitoramento nos respectivos projetos. Esse prazo poderá ser prorrogado ou até encerrado antecipadamente, dependendo dos resultados obtidos.

As concessionárias deverão encaminhar informações periodicamente para a ANTT.

Entre os pontos analisados estarão a confiabilidade dos dados, o desempenho dos equipamentos, o funcionamento operacional do sistema e possíveis mudanças no comportamento dos motoristas.

Um dos projetos, por exemplo, está previsto para um trecho da BR-386, no Rio Grande do Sul. A autorização oficial determina monitoramento entre os quilômetros 304 e 308 e reforça que o experimento não poderá gerar penalidades baseadas exclusivamente na velocidade média registrada.

Ponte Rio-Niterói também terá monitoramento

Um dos locais escolhidos para os experimentos é a Ponte Rio-Niterói.

O projeto prevê monitoramento em aproximadamente nove quilômetros da BR-101, no sentido de Niterói.

Outro trecho que chama atenção fica na BR-101, em Santa Catarina, na região da Ponte Anita Garibaldi, em Laguna. Nesse caso, o experimento envolve aproximadamente três quilômetros da rodovia.

Trechos contínuos como pontes oferecem condições interessantes para esse tipo de monitoramento, já que possuem percursos bem definidos e menor interferência de acessos, saídas e retornos.

Motoristas não serão multados durante os testes

Apesar de os equipamentos conseguirem identificar veículos que percorreram determinado trecho em tempo incompatível com o limite estabelecido, a ANTT deixa claro que os projetos atuais não autorizam multas baseadas exclusivamente na velocidade média.

Os dados serão utilizados inicialmente para avaliação técnica e educativa.

Isso significa que a realização dos testes não representa a autorização automática desse modelo como instrumento definitivo de fiscalização.

Segundo a agência, uma eventual utilização futura para aplicação de penalidades dependerá de novas análises técnicas, jurídicas e regulatórias, além das autorizações necessárias.

Brasil já realizou experiências semelhantes

A ideia de medir a velocidade média não é totalmente nova no país.

Experimentos anteriores já foram realizados em diferentes regiões. Na BR-050, em Uberaba, Minas Gerais, um sistema foi utilizado em aproximadamente 11 quilômetros da rodovia.

Segundo dados divulgados pela concessionária responsável pelo trecho, houve redução de 22,5% nos registros de excesso de velocidade ao comparar períodos anteriores e posteriores a uma ação educativa realizada em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal.

São Paulo também já experimentou esse modelo de monitoramento. Testes realizados anteriormente na capital produziram centenas de milhares de notificações educativas, sem aplicação de multas por velocidade média.

Sistema já é utilizado fora do Brasil

A fiscalização por velocidade média já é adotada em outros países.

A lógica busca evitar um comportamento comum diante dos radares tradicionais: o motorista trafega acima do limite, freia ao se aproximar do equipamento e acelera novamente depois de passar pelo ponto fiscalizado.

Com a velocidade média, a fiscalização deixa de observar somente alguns metros da rodovia e passa a considerar um percurso inteiro.

Para que esse modelo possa eventualmente resultar em multas no Brasil, porém, ainda será necessário avançar nas questões técnicas e regulatórias.

Por enquanto, os equipamentos funcionarão como um grande laboratório em condições reais de trânsito.

Os resultados obtidos nos próximos meses deverão ajudar a ANTT a decidir se o controle por velocidade média poderá avançar para novas etapas e, no futuro, integrar definitivamente a fiscalização das rodovias brasileiras.

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