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29 de setembro de 2026

Eleições 2026

Salles gastou R$ 3 mi do fundão antes de desistir do Senado

Ex-ministro recebeu R$ 3,1 milhões do fundo público eleitoral para campanha ao Senado paulista, desistiu a seis dias da eleição e deixou sobra de R$ 1,7 milhão

Por Redação Mancheck
Salles gastou R$ 3 mi do fundão antes de desistir do Senado
Salles gastou R$ 3 mi do fundão antes de desistir do Senado

O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo) anunciou na segunda-feira (28) a desistência da candidatura ao Senado por São Paulo, faltando apenas seis dias para a eleição. Até aquele momento, a campanha já havia empenhado mais de R$ 3 milhões em despesas, com recursos majoritariamente provenientes do fundo público eleitoral.

Segundo dados da prestação de contas registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Salles recebeu um total de R$ 4,7 milhões em doações para a campanha. Do montante, R$ 3,1 milhões vieram do Diretório Nacional do Partido Novo, com origem no fundão eleitoral. Outros R$ 670 mil foram repassados pelo diretório estadual, classificados como doações de pessoas físicas.

A desistência ocorreu em favor dos candidatos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), que disputam as duas vagas de senador pelo estado.

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Detalhamento dos gastos

Até o dia 25 de setembro, as despesas contratadas pela campanha somavam R$ 3.069.735,42. A maior fatia dos gastos foi destinada a material gráfico, como adesivos e santinhos, totalizando R$ 893 mil.

Outros investimentos incluíram R$ 400 mil em impulsionamento de conteúdo nas redes sociais em geral e R$ 269 mil especificamente no Facebook. A contratação de advogados consumiu R$ 250 mil, enquanto consultoria e gestão estratégica de comunicação eleitoral ficaram em R$ 140 mil. Locação de veículos representou R$ 139 mil.

Sobra de recursos

A diferença entre o total arrecadado e o total de despesas contratadas deixou uma sobra de aproximadamente R$ 1,7 milhão. Questionado sobre a destinação desses recursos, se haverá devolução aos doadores ou ao fundão eleitoral, Salles respondeu apenas que a campanha foi conduzida de forma exemplar e que as despesas estão devidamente registradas.

Críticas do fundador do partido

João Amoedo, fundador do Partido Novo, fez críticas públicas à direção da legenda e especialmente aos candidatos que desistiram ou cogitaram desistir das candidaturas nesta semana. Amoedo destacou que o partido foi criado justamente com o compromisso de não utilizar dinheiro público para financiar campanhas.

Segundo ele, após o partido bater a cláusula de barreira em 2018, elegendo oito deputados federais, passou a ter direito a receber R$ 100 milhões do Fundo Partidário. A atual direção, afirmou Amoedo, decidiu utilizar esses recursos públicos na campanha de 2026, sob o argumento de que seria essencial para o crescimento da legenda.

Amoedo citou como maiores apostas do partido com dinheiro público as campanhas de Ricardo Salles, que desistiu da disputa ao Senado após receber R$ 3,6 milhões, e Deltan Dallagnol, cuja candidatura estava suspensa e poderia ser indeferida pelo TSE, tendo recebido R$ 2,9 milhões.

A direção nacional do Partido Novo foi procurada para comentar as críticas, mas não se pronunciou.

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