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28 de setembro de 2026

Geologia

Vulcão adormecido há 500 anos entra em erupção após terremoto na Rússia

Satélite equipado com radar monitora fluxos de lava do vulcão Krasheninnikov, que não entrava em atividade desde aproximadamente 1550

Por Anna Luiza Bastos
Vulcão adormecido há 500 anos entra em erupção após terremoto na Rússia
Vulcão adormecido há 500 anos entra em erupção após terremoto na Rússia

Um satélite desenvolvido em parceria pela NASA e pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO) registrou em detalhes a evolução da erupção do vulcão Krasheninnikov, na península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia.

O vulcão estava sem atividade conhecida desde aproximadamente 1550, mas voltou a entrar em erupção em agosto de 2025, poucos dias depois de um terremoto de magnitude 8,8 atingir o oceano próximo à região. Cientistas consideram possível que o forte abalo tenha contribuído para desencadear a atividade, embora a relação de causa e efeito não esteja comprovada.

A erupção começou oficialmente em 2 de agosto de 2025, segundo o Programa Global de Vulcanismo do Smithsonian e do USGS. Além de explosões de cinzas, uma fissura se abriu no flanco noroeste do vulcão e passou a liberar lava viscosa.

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Radar acompanha avanço da lava

O monitoramento foi feito pelo NISAR, satélite lançado em julho de 2025 e equipado com dois sistemas de radar capazes de observar a superfície terrestre independentemente da iluminação solar e mesmo com cobertura de nuvens.

O satélite passou a registrar o Krasheninnikov em 25 de dezembro de 2025, durante o período final de testes antes do início das operações científicas. Desde então, voltou ao mesmo ponto aproximadamente duas vezes a cada 12 dias, produzindo imagens em diferentes direções de observação.

Em vez de utilizar câmeras convencionais, o NISAR emite ondas de micro-ondas em direção à superfície e registra os sinais que retornam. A técnica, conhecida como radar de abertura sintética (SAR), permite identificar mudanças na superfície mesmo durante a noite ou quando há nuvens.

No caso do Krasheninnikov, a lava aparece mais brilhante nas imagens porque sua superfície apresenta características que fazem com que o sinal do radar retorne com maior intensidade em comparação com áreas vizinhas.

Imagens mostram lava avançando pela cratera

Pesquisadores reuniram 17 imagens registradas entre dezembro de 2025 e meados de agosto de 2026 para produzir uma animação em time-lapse da erupção.

A sequência mostra a lava se acumulando inicialmente em uma área interna da cratera. Com o avanço do material, o fluxo transbordou para uma estrutura mais ampla e passou a se espalhar pela encosta em formato semelhante a um leque.

O fluxo principal observado pelo satélite avançou para o leste. As imagens também registraram material vulcânico seguindo em direção ao noroeste, indicando que parte dessa atividade já ocorria antes da primeira observação feita pelo NISAR.

Além de documentar a evolução da erupção, os registros demonstram o potencial do satélite para acompanhar vulcões e outros fenômenos naturais em regiões remotas. Segundo a NASA, a capacidade de retornar regularmente aos mesmos locais permite construir uma sequência detalhada das mudanças na superfície e pode contribuir para o monitoramento de riscos naturais.

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