Pular para o conteúdo
22 de setembro de 2026

Eleições 2026

TSE investiga Flávio Bolsonaro, vice e Mario Frias por rede de collabs no Instagram

Corregedor em exercício identificou indícios de uso coordenado de perfis não declarados para ampliar propaganda eleitoral às vésperas da votação de outubro

Por Thayce Mello Atualizado às 15:43
TSE investiga Flávio Bolsonaro, vice e Mario Frias por rede de collabs no Instagram

O Tribunal Superior Eleitoral abriu investigação nesta terça-feira (22) contra o candidato Flávio Bolsonaro, seu vice Alfredo Gaspar e o ex-secretário de Cultura Mario Frias. O objetivo é apurar suspeitas de uso indevido dos meios de comunicação e abuso dos poderes econômico e político por meio de uma rede de publicações compartilhadas no Instagram.

A ação foi protocolada no domingo (20) pela coligação do presidente Lula. Ao admitir o caso, o corregedor em exercício Ricardo Villas Bôas Cueva apontou indícios de articulação entre perfis e destacou o risco decorrente da expansão acelerada da rede às vésperas da eleição, marcada para 4 de outubro.

Como funciona o esquema investigado

A investigação foca no uso de collabs — recurso do Instagram que permite a uma mesma publicação circular simultaneamente nos perfis de todos os coautores após o aceite de um convite. A acusação sustenta que esse mecanismo está sendo usado de forma coordenada para ampliar a propaganda eleitoral por meio de páginas não declaradas à Justiça Eleitoral.

Continua depois da publicidade

O primeiro levantamento identificou 492 collabs e 324 perfis em publicações feitas até 7 de setembro. Mario Frias apareceu em 10 dessas publicações compartilhadas, sendo nove delas com a página @flaviobolsonaroapoio. Uma segunda coleta, realizada entre 8 e 17 de setembro, identificou mais 1.334 publicações e 168 perfis, elevando o total para 1.826 collabs e 492 contas.

Para Cueva, os dados não descrevem uma simples convergência de apoiadores, mas apresentam indicadores objetivos: a reutilização dos mesmos conjuntos de coautores em mais de dois terços das publicações, a presença de dezenas de contas oficiais de candidatura, a ausência de quase todos os demais perfis na relação de endereços declarados à Justiça Eleitoral e, sobretudo, a exibição de um mesmo link encurtado nas biografias de múltiplas contas distintas.

Dimensão comercial

Os links de venda acrescentaram outra camada à investigação. Segundo a decisão, os perfis que divulgam esses endereços também veiculam propaganda dos investigados e integram o agrupamento de maior audiência da rede. A coincidência dos links entre contas apresentadas como independentes indica, na análise preliminar do ministro, divulgação articulada com destinação comercial comum.

Cueva apontou a possibilidade de os responsáveis obterem benefício econômico com vendas realizadas a partir do conteúdo eleitoral.

Medidas cautelares

O corregedor determinou que a empresa responsável pelo Instagram suspenda, em 48 horas, os links de venda indicados e preserve os registros da rede, inclusive de contas que já ficaram indisponíveis. A plataforma também deverá fornecer dados para identificar os operadores dos perfis especificados na decisão e os vínculos entre essas contas.

A Shopee terá de identificar os responsáveis pela loja Bella Chic Store e pelos links comerciais. O descumprimento de cada determinação poderá gerar multa diária de R$ 50 mil.

Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e Mario Frias terão cinco dias para apresentar defesa. Depois, o processo seguirá para a Procuradoria-Geral Eleitoral. A coligação pede a cassação dos registros de candidatura e a inelegibilidade dos investigados por oito anos, medidas que ainda dependem do julgamento da ação.

Participe da conversa

Acesse sua conta Mancheck para comentar.

Entrar