Pular para o conteúdo
24 de setembro de 2026

Mercado

Ações do Magalu disparam 32% em setembro após acordo com Mercado Livre

Parceria comercial e queda da Selic impulsionam recuperação dos papéis, mas analistas alertam que fundamentos operacionais ainda não acompanharam a valorização

Por Anna Luiza Bastos
Ações do Magalu disparam 32% em setembro após acordo com Mercado Livre
Ações do Magalu disparam 32% em setembro após acordo com Mercado Livre

As ações do Magazine Luiza registraram alta de 32,47% em setembro, tornando-se a maior valorização do Ibovespa no mês. O movimento representa uma guinada para a empresa, que passou a maior parte do ano entre as maiores quedas da Bolsa e ainda acumula perda de cerca de 30% em 2024.

O principal impulso para a recuperação veio do anúncio de uma parceria comercial com o Mercado Livre no início de setembro. O acordo prevê a distribuição de produtos próprios do Magazine Luiza dentro da plataforma do marketplace, ampliando o alcance de vendas digitais sem exigir os mesmos investimentos em aquisição de clientes que seriam necessários pelos canais tradicionais.

A iniciativa ganhou relevância especial porque o comércio eletrônico tem sido o ponto mais problemático da varejista. No segundo trimestre, as vendas online recuaram cerca de 12%, enquanto as lojas físicas cresceram 10,3%. A integração com o Mercado Livre pode oferecer um caminho para ampliar visibilidade sem pressionar excessivamente os custos operacionais.

Continua depois da publicidade

Ambiente macroeconômico favorece empresas de consumo

Além da parceria estratégica, o Magazine Luiza passou a se beneficiar da mudança no cenário de juros. A redução da Selic para 13,75%, no quinto corte consecutivo promovido pelo Banco Central, trouxe de volta ao radar dos investidores empresas sensíveis ao crédito e ao consumo.

Como grande parte das vendas da companhia envolve bens duráveis financiados, a expectativa de juros menores tende a melhorar gradualmente tanto a demanda quanto o custo financeiro da operação. Porém, os efeitos práticos da queda da Selic ainda aparecem de forma limitada nos resultados das empresas do setor.

Resultados operacionais permanecem fracos

Apesar da forte valorização das ações, os fundamentos operacionais não acompanharam a recuperação na mesma proporção. No segundo trimestre, a varejista registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões, queda de 2,6% na receita líquida e retração de 5,1% nas vendas totais.

O ponto positivo foi a manutenção da margem Ebitda ajustada em torno de 8%, refletindo maior controle de custos pela gestão.

Analistas avaliam que a alta recente está mais ligada à mudança de percepção do mercado do que a uma transformação concreta nos números. Segundo especialistas consultados, o papel havia sido excessivamente penalizado após uma sequência de resultados fracos e negociava próximo de mínimas históricas recentes, o que criou espaço para uma recuperação técnica.

O que vem pela frente

Os próximos trimestres serão decisivos para determinar se a valorização pode se transformar em uma reprecificação sustentável. Quatro indicadores devem ser monitorados: retomada do crescimento das vendas online, manutenção ou expansão das margens, redução gradual do endividamento e melhora dos resultados da Luizacred.

A Black Friday e as vendas de fim de ano funcionarão como importante termômetro para o desempenho da companhia. Qualquer sinal de recuperação mais forte do e-commerce ou de alívio nas despesas financeiras pode reforçar a tese de valorização. Por outro lado, a continuidade da queda nas vendas digitais ou piora da inadimplência pode interromper rapidamente o movimento recente.

Especialistas classificam a ação do Magazine Luiza como de alto risco e elevada volatilidade. Investidores com horizonte de longo prazo e tolerância a oscilações podem enxergar valor relativo nos múltiplos atuais, enquanto perfis mais conservadores devem aguardar confirmação operacional antes de aumentar exposição.

A avaliação de mercado é que existe diferença importante entre recuperação de preço e recuperação operacional. Para que o movimento se torne sustentável, os próximos resultados precisarão confirmar que os novos canais de venda estão trazendo crescimento sem sacrificar margens e que a redução dos juros está começando a aparecer de forma concreta nos números da empresa.

Participe da conversa

Acesse sua conta Mancheck para comentar.

Entrar