Pular para o conteúdo
26 de setembro de 2026

Investigação da PF

Ex-secretário de Saúde de Goiânia foi preso dias após repasse de R$ 100 mil

Quesede Ayres foi detido por suspeita de desvios que ultrapassariam R$ 10 milhões. Investigação da PF aponta que valor seria destinado a Lulinha, filho do presidente

Por Ana Beatriz Ramos
Ex-secretário de Saúde de Goiânia foi preso dias após repasse de R$ 100 mil
Ex-secretário de Saúde de Goiânia foi preso 15 dias após repasse de R$ 100 mil

O ex-secretário executivo de Saúde de Goiânia Quesede Ayres Henrique foi preso em 27 de novembro de 2024, poucas semanas depois de realizar um repasse de R$ 100 mil citado em uma investigação que apura possíveis pagamentos relacionados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mensagens obtidas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa mostram a lobista Roberta Luchsinger cobrando de Quesede a realização de um Pix de R$ 100 mil com urgência. Em uma das conversas, ela afirma que “o homem” estava cobrando o pagamento e que iria embarcar em breve.

O pagamento foi realizado para uma empresa ligada a Roberta Luchsinger. A investigação apura se o dinheiro teria como destinatário final Lulinha. A defesa do filho do presidente nega que ele tenha recebido valores relacionados ao caso e também questionou a autenticidade e a origem das mensagens divulgadas.

Continua depois da publicidade

Naquele período, Lulinha viajou de Guarulhos para Lisboa no mesmo voo de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Documentos da Polícia Federal apontam que os dois embarcaram juntos para Portugal em novembro de 2024.

A própria defesa de Lulinha confirmou posteriormente a viagem e informou ao Supremo Tribunal Federal que Antunes arcou com as despesas. Segundo os advogados, a viagem tinha como objetivo conhecer um empreendimento relacionado à produção de cannabis medicinal em Portugal. A defesa afirma que a visita não resultou em negócios entre os dois.

Primeira prisão

Quesede foi preso pela primeira vez em 27 de novembro de 2024 durante a Operação Comorbidade, conduzida pelo Ministério Público de Goiás.

A operação cumpriu três mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão para investigar suspeitas de pagamentos irregulares em contratos administrativos e associação criminosa na Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia. Também foram presos outros integrantes da administração da pasta.

Quesede permaneceu preso por cerca de dez dias e foi liberado em 7 de dezembro de 2024.

Nova investigação por R$ 10 milhões

Poucos dias depois, Quesede voltou a ser alvo de uma operação policial.

Em 17 de dezembro, a Polícia Civil de Goiás deflagrou a Operação Speedy Cash para investigar um suposto esquema de desvio de aproximadamente R$ 10 milhões dos cofres da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia.

A investigação apurava possíveis fraudes em um convênio firmado pela secretaria com uma associação e uma empresa prestadora de serviços.

Quesede foi considerado foragido após não ser localizado para o cumprimento do mandado de prisão. Dois dias depois, em 19 de dezembro, apresentou-se à Polícia Civil.

Intervenção na Saúde de Goiânia

Em meio à crise enfrentada pela rede municipal, o Tribunal de Justiça de Goiás determinou, em 9 de dezembro de 2024, a intervenção do Estado na gestão da Saúde de Goiânia.

A decisão não foi baseada exclusivamente nas investigações envolvendo os antigos gestores. O pedido apresentado pelo Ministério Público apontava um conjunto de problemas estruturais, administrativos e financeiros na rede municipal de saúde.

As investigações sobre os supostos repasses envolvendo Lulinha seguem cercadas de versões divergentes. As mensagens e movimentações financeiras são analisadas pelas autoridades, enquanto a defesa do filho do presidente nega que ele tenha recebido dinheiro de Roberta Luchsinger ou de Antônio Carlos Camilo Antunes.

Participe da conversa

Acesse sua conta Mancheck para comentar.

Entrar