Acidente Aéreo
Mensagens mostram preocupação da tripulação com clima antes de queda fatal
Copiloto e comandante do helicóptero que transportava o cantor Rick consultaram operador de aeroporto sobre condições meteorológicas horas antes do acidente
Horas antes do acidente que vitimou o cantor Rick, da dupla sertaneja Rick e Renner, e outras quatro pessoas, integrantes da tripulação do helicóptero trocaram mensagens com um operador de aeroporto demonstrando preocupação com o tempo na região de destino.
O copiloto Leopoldo Barros Teixeira iniciou contato com Juliano Luft, operador do aeroporto de Lages, às 6h59 da manhã do acidente. A aeronave planejava fazer uma parada no local para reabastecimento durante o trajeto.
Às 7h52, Luft enviou uma fotografia das condições climáticas em Lages, informando que naquele momento havia boas condições visuais. Na sequência, alertou: “Mais tarde chove. Quanto antes vir, melhor”.
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Minutos depois, o próprio comandante Antônio Roberto Nóbrega de Araújo entrou em contato. Segundo o operador, o piloto disse estar ciente de que o tempo estava ruim no destino e solicitou fotos e vídeo das condições meteorológicas em Lages.
Naquela manhã, a Defesa Civil havia emitido alerta de tempestade severa para a região de São Joaquim, prevendo granizo, vendaval e raios. Uma frente fria se aproximava da área.
Decolagem e último contato
Pouco antes da decolagem, o empresário Bruno Avelar enviou a um amigo uma foto feita dentro da cabine, na qual o comandante aparece diante do painel de controle.
O helicóptero Bell 430, prefixo PP-MGR, decolou às 11h de Porto Belo, no litoral catarinense, com destino a São Joaquim. Após a decolagem, o operador tentou novamente contato. Às 11h17, enviou mensagem perguntando sobre a estimativa de chegada e o abastecimento em Lages. A mensagem não foi respondida nem recebida.
Câmeras de segurança de fazendas registraram o som da colisão às 11h32.
Vítimas e resgate
Além do cantor Rick, morreram no acidente o empresário Bruno Avelar, o produtor de vídeos Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
O Bell 430 tinha capacidade para até sete passageiros e estava com documentação em dia, autorizado para voos noturnos e por instrumentos, segundo a ANAC.
As equipes de resgate levaram mais de 20 horas para localizar a aeronave. O helicóptero caiu em área de difícil acesso, em meio à mata fechada, em trecho da Serra Catarinense a cerca de 1.700 metros de altitude. O trajeto até o local levou cerca de duas horas e meia de caminhada.
Perícia e hipóteses investigadas
A Polícia Científica utiliza drones e scanner tridimensional para reconstruir a cena da colisão e analisar a trajetória da aeronave. Segundo o perito criminal Fernando Henrique Ponzetti, a tecnologia permite simular a entrada do helicóptero na área de mata e analisar características dos destroços.
Do helicóptero, que tinha mais de 15 metros de comprimento, restaram pouco mais de três metros após o impacto.
O engenheiro aeronáutico e professor da Poli-USP Jorge Eduardo Leal Medeiros afirmou que, pelas características do helicóptero, uma falha mecânica não seria a primeira hipótese analisada. Ele citou a possibilidade de influência das condições meteorológicas.
Entre os fenômenos que podem ocorrer em regiões montanhosas está o downdraft, ou corrente descendente, quando o ar desce pela encosta e pode empurrar a aeronave para baixo. O especialista também levantou, de forma preliminar, a possibilidade de falha humana associada ao mau tempo.
A investigação continua. As autoridades buscam informações na caixa-preta do Bell 430, enquanto a Polícia Científica trabalha na reconstrução da dinâmica da queda.
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