Eleições 2026
Campanha de Flávio aposta em torcidas organizadas contra Lula após veto às bets
Aliados do senador calculam perda de até 2% dos votos do petista com reação de clubes à proibição de patrocínios; TSE mantém propaganda crítica de Lula contra Flávio no ar
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a acompanhar a reação de torcedores e clubes de futebol à proibição das apostas de quota fixa como uma possível frente de desgaste para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do primeiro turno. Segundo a CNN Brasil, aliados de Flávio estimam que a perda de patrocínios ligados às bets poderia representar uma redução de 1% a 2% dos votos de Lula. Trata-se, porém, de uma avaliação interna da campanha, e não de uma estimativa independente.
A estratégia considera a repercussão nas redes sociais após a edição da Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro, que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. A medida alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online e também afeta contratos de patrocínio vinculados às empresas do setor.
A MP estabelece prazos para o encerramento das operações. As empresas devem retirar materiais publicitários e de patrocínio até 5 de outubro, enquanto os sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro, conforme o cronograma divulgado pelo governo.
Continua depois da publicidade
Campanhas têm leituras diferentes
Na avaliação de aliados de Flávio, a saída das bets dos uniformes e de outros espaços de publicidade pode provocar insatisfação entre clubes e torcedores. A equipe do candidato acompanha diariamente a movimentação nas redes para identificar a dimensão dessa reação.
A campanha de Lula, por outro lado, minimiza o possível impacto. Integrantes do grupo governista argumentam que os clubes poderão buscar outras empresas para substituir os patrocinadores ligados ao setor de apostas e consideram a medida uma oportunidade política para o presidente.
A proibição ocorre em meio a uma mudança significativa no mercado esportivo. A MP extingue as autorizações existentes para exploração das apostas de quota fixa e determina o fim da publicidade e do patrocínio das empresas do setor dentro dos prazos estabelecidos.
Campanha tenta reduzir efeitos da polêmica religiosa
A movimentação em torno das bets ocorre simultaneamente à tentativa da campanha de Flávio de responder à repercussão de informações falsas envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
O candidato tem dividido sua agenda entre acenos aos públicos católico e evangélico. Em entrevista a um podcast católico, chegou a comparar a disseminação da informação falsa sobre a padroeira do Brasil ao atentado a faca sofrido por seu pai, Jair Bolsonaro, em 2018.
Na segunda-feira (28), a campanha divulgou uma nota para esclarecer uma declaração feita por Flávio em agosto, quando ele afirmou que um de seus primeiros atos como presidente seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
Segundo a manifestação, a intenção seria realizar uma oração antes da leitura do termo de posse, em um gesto simbólico de agradecimento e pedido de proteção aos brasileiros. A equipe também reiterou que Flávio defende o respeito a diferentes religiões e formas de manifestação da fé.
Pastores ligados ao candidato, entre eles Silas Malafaia, também divulgaram manifestação em nome do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), afirmando que católicos e evangélicos convivem pacificamente e negando a existência de uma iniciativa para cancelar feriados ou cultos religiosos.
A controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida surgiu a partir da associação de Flávio a um antigo projeto de lei que pretendia alterar a denominação da padroeira do Brasil. O projeto, apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli, foi arquivado em 2008 e não teve autoria de Flávio Bolsonaro. O Projeto Comprova classificou como falsa a associação entre o candidato e a proposta.
TSE mantém conteúdo crítico de propaganda contra Flávio
Em outra frente da disputa eleitoral, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, analisou uma representação apresentada pela defesa de Flávio contra uma propaganda da campanha de Lula e Geraldo Alckmin.
O vídeo, de 30 segundos e exibido em 16 de setembro, começava com uma declaração de Flávio sobre não ser alvo de investigações. Na sequência, reunia 13 trechos de apresentadores e comentaristas com críticas ao candidato, incluindo afirmações de que ele teria mentido. A peça terminava com a pergunta: “Dá para confiar nesse sujeito?”.
A defesa de Flávio argumentou que a edição teria criado uma narrativa artificial ao reunir declarações feitas em momentos diferentes. Nunes Marques, porém, não identificou, em análise preliminar, prática criminosa ou ofensa de gravidade suficiente para justificar a retirada do conteúdo. O ministro considerou que as expressões utilizadas fazem parte de um juízo crítico sobre a conduta e a credibilidade de um candidato durante a disputa eleitoral.
O ministro também mencionou o princípio da mínima intervenção da Justiça Eleitoral no debate político. Apesar disso, determinou a suspensão provisória da veiculação da peça por uma questão formal relacionada à identificação da chapa.
Problema estava no tamanho dos nomes
Segundo a decisão, os nomes de Lula e Alckmin apareciam de forma vertical na margem esquerda do vídeo, com tamanho reduzido. A legislação eleitoral determina que, em propagandas para cargos majoritários, o nome do candidato a vice deve aparecer de maneira clara e legível, com tamanho equivalente a pelo menos 30% do nome do titular.
A decisão apontou ainda que a propaganda havia sido exibida 30 vezes em 27 emissoras em um único dia, o que levou à determinação de suspensão até que a irregularidade fosse corrigida. A liminar ainda será submetida à análise do plenário do TSE.
As duas disputas — a reação à proibição das bets e a judicialização da propaganda eleitoral — ocorrem nos últimos dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.
Participe da conversa
Acesse sua conta Mancheck para comentar.
Entrar