Economia
Superquarta: juros caem no Brasil e sobem nos EUA. Veja o que muda no seu bolso
O Banco Central cortou a Selic para 13,75% ao ano, e o Fed subiu os juros americanos pela primeira vez em três anos. As duas decisões afetam crédito, investimentos e dólar.
Nesta quarta-feira (16), o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciaram suas decisões sobre juros no mesmo dia. O mercado chama esse tipo de data de “superquarta”. Desta vez, os dois foram em direções opostas.
Brasil: quinto corte seguido
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Todos os membros votaram a favor. É o quinto corte seguido de 0,25 ponto percentual.
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Segundo o comunicado, a economia está desacelerando aos poucos, principalmente nos setores que mais dependem de crédito. O mercado de trabalho, porém, continua forte. A inflação também perdeu força: o IPCA acumulado em 12 meses está em 4,22%, abaixo do limite de 4,5% da meta. Mesmo assim, o BC não prometeu novos cortes. Parte dos analistas acredita que este foi um dos últimos cortes sem grandes obstáculos.
EUA: primeira alta em três anos
Nos Estados Unidos, o Fed subiu os juros em 0,25 ponto percentual, também por unanimidade. A taxa passou da faixa de 3,50% a 3,75% para a de 3,75% a 4% ao ano.
A justificativa é a inflação alta. Um dos motivos é o petróleo, que passou de US$ 100 o barril com a tensão envolvendo o Irã. O presidente do Fed, Kevin Warsh, disse que “os dados pontuais são ruído; o que importa é a tendência”. Bancos como Morgan Stanley e HSBC esperam outra alta em dezembro.
O que muda para você
- Empréstimos e financiamentos: o corte da Selic permite que os bancos cobrem juros menores, mas isso acontece aos poucos e depende de cada banco e de cada cliente. As linhas ligadas ao CDI costumam baixar primeiro, como empréstimo pessoal e financiamento de veículos.
- Financiamento imobiliário: um corte de 0,25 ponto sozinho muda pouco, porque o crédito para imóveis usa recursos da poupança e tem regras próprias.
- Cartão e cheque especial: continuam entre as dívidas mais caras do mercado, mesmo com a Selic menor.
- Poupança: o rendimento continua em 0,5% ao mês mais a TR, regra que vale enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano.
- Renda fixa: Tesouro Selic, CDBs e outras aplicações ligadas ao CDI vão render um pouco menos. Com a Selic ainda em 13,75%, porém, o retorno continua alto.
- Dólar e bolsa: quando os juros sobem nos EUA e caem no Brasil, investir aqui fica menos vantajoso para o estrangeiro. Com isso, sai dinheiro do país, o dólar tende a subir e a bolsa tende a cair. No dia da decisão, o dólar chegou perto de R$ 5,14, e o Ibovespa operou em queda. Um dólar mais caro pode encarecer produtos importados e viagens ao exterior.
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