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19 de setembro de 2026

Saúde

Ciência confirma: o “esquecimento da gravidez” tem explicação biológica

"Esquecimento na gravidez não é lenda: cientistas encontram a causa no cérebro"

Por Thayce Mello Atualizado às 08:59

Aquela sensação de cabeça “no mundo da lua” durante a gestação — esquecer compromissos, perder o fio da meada no meio de uma frase — não é só imaginação nem falta de atenção. Um estudo publicado na revista Science Bulletin, conduzido por equipes do Baylor College of Medicine (EUA) em parceria com hospitais da Universidade de Shandong (China) e o Pennington Biomedical Research Center, mostra que existe um mecanismo cerebral concreto por trás do fenômeno popularmente chamado de “mommy brain” ou “momnésia”.

O papel do estrogênio

O hormônio estrogênio, que sobe de forma acentuada e contínua durante a gravidez, atua sobre uma região do cérebro chamada hipotálamo lateral. Ali, ele se liga a receptores (estrogênio alfa) presentes em neurônios GABAérgicos — células que normalmente funcionam como um “freio”, enviando sinais inibitórios e calmantes. Quando o estrogênio está muito elevado, esse freio é enfraquecido: os neurônios passam a disparar com mais frequência do que o normal.

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Da região do “instinto” à memória

O problema é que esses neurônios hiperativos do hipotálamo se conectam diretamente a uma parte específica do hipocampo (a região CA3), que é um centro-chave para a formação de memórias. É esse circuito hipotálamo-hipocampo que, ao ser “bagunçado” pelo excesso de estrogênio, prejudica a capacidade de registrar e lembrar informações — sem, no entanto, afetar humor ou motivação.

Como os cientistas comprovaram

Em testes com camundongos, os pesquisadores simularam os níveis de estrogênio típicos da gravidez e observaram o mesmo padrão de falhas de memória. Quando removeram geneticamente os receptores de estrogênio desses neurônios — ou interromperam a comunicação entre hipotálamo e hipocampo —, os problemas de memória desapareceram, tanto os induzidos artificialmente quanto os ligados à gestação real.

Mais importante: o achado não ficou restrito a roedores. Os cientistas testaram mulheres no terceiro trimestre de gravidez e encontraram uma correlação direta entre os níveis de estrogênio no sangue e o desempenho em tarefas específicas de memória — validando em humanos o que haviam visto no modelo animal.

Um alívio, não um diagnóstico

A principal mensagem dos autores é tranquilizadora: trata-se de uma alteração temporária e reversível, uma espécie de ajuste normal do cérebro durante a gestação — e não sinal de declínio cognitivo mais amplo ou permanente. A expectativa é que a descoberta abra caminho para orientações clínicas mais precisas às gestantes que enfrentam esses sintomas.

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