Contas Públicas
Déficit público de R$ 10 bi em agosto eleva dívida a 82,9% do PIB
Resultado de agosto é o maior desde junho de 2020, durante a pandemia da Covid-19, segundo dados divulgados pelo Banco Central
A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto, ou R$ 11,1 trilhões, segundo as Estatísticas Fiscais divulgadas pelo Banco Central nesta quarta-feira (30/9). É o maior patamar desde março de 2021, quando o país ainda sentia os efeitos fiscais da pandemia. A alta de 0,3 ponto percentual (p.p.) em relação a julho veio principalmente dos juros, e não do resultado das contas no mês.
O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto. O resultado primário é a diferença entre receitas e despesas, sem contar os juros. O número veio melhor que o esperado: analistas projetavam rombo de R$ 15,7 bilhões. Também ficou abaixo do déficit de agosto de 2025 (R$ 17,3 bilhões) e é o menor para o mês desde pelo menos 2022, quando o saldo negativo foi de R$ 30,3 bilhões.
O governo central respondeu pelo déficit, com R$ 14,7 bilhões negativos. Estados e municípios tiveram superávit de R$ 2,7 bilhões, e as estatais, de R$ 2 bilhões. Em 12 meses, o déficit primário soma R$ 82,1 bilhões (0,62% do PIB), 0,06 p.p. abaixo do acumulado até julho.
Continua depois da publicidade
Juros pesam mais
A conta de juros da dívida foi de R$ 105,9 bilhões em agosto, contra R$ 74,3 bilhões um ano antes. Em 12 meses, chega a R$ 1,18 trilhão, ou 8,86% do PIB. Somando juros e resultado primário, o déficit nominal foi de R$ 115,9 bilhões no mês e de R$ 1,26 trilhão (9,48% do PIB) em 12 meses.
Segundo o BC, os juros acrescentaram 0,8 p.p. à dívida bruta em agosto, e a desvalorização do real, mais 0,1 p.p. O crescimento do PIB nominal reduziu a relação em 0,5 p.p. No ano, a dívida bruta subiu 4,2 p.p., com os juros respondendo por 6,5 p.p. desse avanço.
A dívida líquida do setor público, que desconta reservas internacionais e outros ativos do governo, foi a 69,3% do PIB (R$ 9,2 trilhões), alta de 0,1 p.p. no mês. Pesaram os juros, o déficit primário e o câmbio.
O recorde da dívida bruta na série atual, iniciada em 2008, é de 87,7% do PIB, em outubro de 2020. Agosto de 2026 é o 11º maior nível da série, e todos os dez maiores ficam no período da pandemia. A diferença é que, naquele momento, a dívida subiu por causa de gastos emergenciais. Agora, sobe mesmo com o déficit primário encolhendo, empurrada pelo custo dos juros.
- Pobreza volta a crescer na Argentina e atinge 32,3% da população no 1º semestre
- Mercado eleva inflação projetada para 2026 após três semanas de queda
- Banco Central libera o Pix Automático na conta-salário a partir de julho de 2027
- Conab projeta a terceira safra recorde seguida: 366,6 milhões de toneladas em 2026/27.
Participe da conversa
Acesse sua conta Mancheck para comentar.
Entrar