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1 de outubro de 2026

Governança corporativa

Mulheres ocupam apenas 16% das cadeiras em conselhos de administração no país

Levantamento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa revela gap de gênero histórico em posições estratégicas nas empresas brasileiras

Por Anna Luiza Bastos
Mulheres ocupam apenas 16% das cadeiras em conselhos de administração no país

As mulheres ainda representam uma parcela pequena dos profissionais que ocupam conselhos de administração no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) apontam que elas estão presentes em apenas 16% dos assentos, evidenciando a desigualdade de gênero em espaços que concentram decisões estratégicas das empresas.

A chegada a um conselho também representa uma mudança importante na trajetória profissional. A experiência acumulada em cargos executivos continua sendo relevante, mas a atuação deixa de estar concentrada na execução e passa a exigir uma visão mais ampla e de longo prazo sobre o negócio.

Uma executiva especializada em sustentabilidade, por exemplo, pode precisar ampliar seu repertório ao chegar ao conselho. Além dos temas ambientais e sociais, passa a participar de discussões relacionadas a resultados financeiros, gestão de riscos, pessoas, governança e estratégia empresarial.

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Da execução para a visão estratégica

A principal diferença está no papel exercido dentro da organização. Enquanto uma executiva normalmente está envolvida diretamente na implementação de planos e no acompanhamento das operações, uma conselheira participa da definição de diretrizes e da supervisão da estratégia.

Isso exige capacidade de analisar diferentes áreas da empresa e compreender como elas se relacionam. Também requer disposição para questionar decisões, fazer perguntas e contribuir para discussões que nem sempre estão diretamente ligadas à experiência profissional anterior.

A mudança, portanto, não consiste apenas em conquistar uma cadeira. É necessário desenvolver uma perspectiva que permita contribuir para o negócio sem assumir o papel de quem executa as decisões.

Vieses ainda influenciam as escolhas

A baixa representação feminina nos conselhos não está necessariamente relacionada à ausência de profissionais qualificadas. Entre os fatores apontados para essa desigualdade estão vieses inconscientes que historicamente associam posições de poder e tomada de decisão a perfis masculinos.

Esses padrões podem influenciar desde a identificação de possíveis candidatas até a escolha de quem será convidado para ocupar uma posição de governança.

A ampliação da presença feminina nesses espaços também passa, nesse sentido, pela existência de referências. Quanto maior a exposição a mulheres em posições de decisão, maior tende a ser o repertório utilizado pelas organizações ao buscar novos nomes para seus conselhos.

Autoconhecimento ajuda na transição

Para executivas interessadas em construir uma trajetória na governança corporativa, o primeiro passo pode estar menos relacionado ao cargo ocupado atualmente e mais à compreensão das próprias competências.

A transição exige identificar conhecimentos que podem ser aplicados em diferentes contextos, além de características importantes para uma atuação colegiada. Capacidade de ouvir, argumentar, analisar cenários e lidar com opiniões divergentes passam a ter peso significativo.

No conselho, a influência não depende apenas da capacidade de defender uma posição. As decisões são construídas coletivamente, e saber escutar pode ser tão importante quanto apresentar argumentos.

Por isso, uma questão central para quem pretende fazer essa mudança de trajetória é: quem sou eu profissionalmente quando o cargo e o sobrenome corporativo deixam de definir minha identidade?

Responder a essa pergunta ajuda a identificar experiências, conhecimentos e habilidades que permanecem relevantes mesmo fora da função executiva — e que podem formar a base para uma atuação estratégica em conselhos de administração.

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