Saúde
FDA aprova novo medicamento para Parkinson com ação direcionada no cérebro
Tavapadon, que será vendido como Juvmo, atua de forma específica em receptores de dopamina e pode ser usado isolado ou combinado com levodopa
A FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou o tavapadon para o tratamento da doença de Parkinson em adultos. A farmacêutica AbbVie anunciou a decisão em 28 de setembro. O remédio será vendido com o nome Juvmo e deve chegar às farmácias norte-americanas em outubro.
A novidade está no alvo do medicamento. O tavapadon é o primeiro remédio aprovado que estimula de forma seletiva apenas os receptores de dopamina dos tipos D1 e D5, ligados aos circuitos cerebrais que comandam os movimentos.
Por que isso importa
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O Parkinson surge quando morrem os neurônios que produzem dopamina, a substância que o cérebro usa para coordenar os movimentos. O tratamento mais usado é a levodopa, que o organismo transforma em dopamina. Outra classe de remédios, os agonistas dopaminérgicos, imita a ação da dopamina, mas os que existem hoje agem principalmente nos receptores D2 e D3.
Ao atuar em outro grupo de receptores, o tavapadon é uma nova forma de controlar os sintomas motores. Como outros remédios para Parkinson, ele trata os sintomas, mas não interrompe a progressão da doença.
O que dizem os estudos
A aprovação teve como base o programa TEMPO, formado por três estudos de fase 3:
- Pacientes em fase inicial, sem levodopa (TEMPO-1 e TEMPO-2): depois de 26 semanas, quem tomou tavapadon teve uma melhora de cerca de 10 pontos na escala que mede sintomas motores e dificuldades do dia a dia. No grupo placebo, os sintomas ficaram estáveis ou pioraram.
- Pacientes que já usam levodopa e têm oscilações (TEMPO-3): com o tempo de tratamento, o efeito da levodopa passa a oscilar ao longo do dia, alternando períodos em que o paciente se movimenta bem com outros em que os sintomas voltam. Com o tavapadon, os participantes ganharam em média 1,7 hora por dia de bom controle dos movimentos, sem movimentos involuntários incômodos. No grupo placebo, o ganho foi de 0,6 hora.
Como é usado e efeitos colaterais
O Juvmo é tomado uma vez por dia. A dose aumenta aos poucos no início do tratamento, até ficar entre 5 mg e 15 mg. Os efeitos adversos mais comuns nos estudos foram náusea, dor de cabeça, alteração do paladar, cansaço, vômito, boca seca e ansiedade. Quando o remédio foi usado junto com a levodopa, também apareceram movimentos involuntários (discinesia), tontura e alucinações.
E no Brasil?
O medicamento não tem registro na Anvisa, e ainda não há previsão de quando o pedido será analisado.
Sobre a doença
O Parkinson é uma doença neurodegenerativa, crônica e progressiva, mais comum depois dos 60 anos. A Organização Mundial da Saúde estimou mais de 8,5 milhões de pessoas com a doença no mundo em 2019. Os sinais mais conhecidos são tremores, rigidez muscular e lentidão dos movimentos. A doença também pode causar perda do olfato, distúrbios do sono, alterações de humor, problemas urinários, dor, fadiga e, ao longo dos anos, declínio cognitivo.
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