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7 de outubro de 2026

Cinema

Filme com Penélope Cruz e Glenn Close abre Festival do Rio 2026

Produção espanhola 'A bola preta' estreou no evento na terça-feira e chega aos cinemas brasileiros em janeiro de 2027; longa já foi selecionado para representar Espanha no Oscar

Por Anna Luiza Bastos
Filme com Penélope Cruz e Glenn Close abre Festival do Rio 2026
Filme com Penélope Cruz e Glenn Close abre Festival do Rio 2026

O Festival do Rio 2026 começou com A Bola Preta (La Bola Negra), drama espanhol dirigido por Javier Calvo e Javier Ambrossi, conhecidos como Los Javis. Vencedor do prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes, o longa também foi escolhido pela Espanha para representá-la na disputa por uma indicação ao Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional.

Com 155 minutos de duração, o filme acompanha três homens em momentos distintos da história espanhola: Carlos, em 1932; Sebastián, durante a Guerra Civil, em 1937; e Alberto, em 2017. As histórias se conectam por temas como desejo, repressão, identidade, memória e herança familiar.

A produção teve sua première mundial em Cannes, onde Calvo e Ambrossi receberam o prêmio de Melhor Direção, dividido com Paweł Pawlikowski, de Fatherland. No Brasil, a obra foi escolhida para a sessão de abertura do Festival do Rio.

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Um segredo familiar atravessa gerações

Na parte ambientada em 2017, Alberto, interpretado por Carlos González, entra em contato com um passado familiar que desconhecia. A descoberta de acontecimentos ligados ao avô Sebastián o leva a investigar a própria história e a relação entre diferentes gerações de homens marcados pela repressão sexual.

Em 1937, Sebastián, vivido por Guitarricadelafuente, é incorporado à força às tropas nacionalistas durante a Guerra Civil Espanhola. No decorrer da história, ele passa a guardar Rafael, um prisioneiro republicano interpretado por Miguel Bernardeau. A convivência entre os dois transforma a relação entre guarda e prisioneiro em um dos principais conflitos emocionais do filme.

Já em 1932, Carlos, personagem de Milo Quifes, tenta ingressar em um clube privado frequentado pela elite. A admissão é decidida por uma votação em que bolas brancas representam aprovação e bolas pretas, rejeição. Carlos acaba sendo recusado em razão de rumores sobre sua homossexualidade — mecanismo que dá origem ao título do longa.

Penélope Cruz e Glenn Close integram o elenco

Além dos protagonistas, o filme conta com Penélope Cruz e Glenn Close em participações de destaque. Cruz interpreta Nené Romero, uma cantora que se apresenta para soldados durante a guerra, enquanto Close vive Isabelle, personagem ligada à pesquisa acadêmica desenvolvida na trama contemporânea. O elenco também inclui Lola Dueñas e Miguel Bernardeau.

A música também ocupa espaço importante na narrativa. A trilha sonora é assinada por Raül Refree, enquanto Guitarricadelafuente, intérprete de Sebastián, também participa musicalmente da produção.

A influência de Federico García Lorca

A história parte de uma das obras inacabadas de Federico García Lorca. O filme foi desenvolvido a partir da peça La piedra oscura, de Alberto Conejero, e incorpora elementos do universo deixado pelo poeta espanhol. A obra de Lorca funciona como uma espécie de elo entre as diferentes épocas apresentadas pelos diretores.

Pedro Almodóvar também está ligado à produção como produtor associado, por meio da El Deseo. A influência do cineasta aparece ainda nas referências visuais e na abordagem melodramática apontadas por parte da crítica.

Um filme ambicioso, mas de ritmo irregular

A recepção crítica tem destacado tanto a dimensão visual quanto a ambição narrativa de A Bola Preta. O filme foi elogiado pela fotografia, pela trilha sonora e pela maneira como conecta histórias separadas por décadas.

Por outro lado, algumas críticas consideraram os 155 minutos excessivos. A Screen Daily classificou a obra como um melodrama amplo e pouco disciplinado, enquanto outras análises apontaram que a narrativa demora a revelar completamente as conexões entre os personagens.

No Brasil, A Bola Preta tem distribuição da Paris Filmes e está previsto para chegar aos cinemas em janeiro de 2027, segundo as informações apresentadas para o mercado brasileiro.

Ao transformar três histórias separadas em uma narrativa sobre memória e repressão, o filme usa diferentes períodos da história espanhola para discutir como experiências silenciadas podem atravessar gerações.

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