Pets
Pug exige cuidados especiais: o que o tutor precisa saber antes e depois de adotar
O focinho achatado que faz parte do charme da raça também traz uma série de riscos à saúde que exigem atenção redobrada do tutor, segundo veterinários.
O Pug é uma das raças braquicefálicas mais populares do Brasil — cães de focinho achatado, como bulldogs e boxers. Essa característica física, que faz parte do padrão da raça, também está associada a uma série de problemas de saúde que qualquer tutor (ou futuro tutor) precisa conhecer antes de adotar.
Dificuldade para respirar (BOAS)
A Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas dos Braquicefálicos, conhecida pela sigla em inglês BOAS, é a condição mais associada à raça. Um estudo publicado em periódico científico indexado na base PMC (National Center for Biotechnology Information, dos EUA) encontrou risco quase 54 vezes maior de BOAS em Pugs em comparação a cães de outras raças, e risco 51 vezes maior de narinas estreitas (estenose de narina) — uma das causas estruturais do problema, junto com palato mole alongado e traqueia mais estreita. Segundo a organização americana Humane World for Animals, estima-se que cerca de metade dos pugs e buldogues franceses apresente sinais clínicos significativos de BOAS.
Calor é um risco real
Por respirarem com mais dificuldade, cães braquicefálicos têm menor capacidade de regular a própria temperatura pelo ofegar — mecanismo natural de resfriamento dos cães —, o que os torna mais vulneráveis a golpes de calor em dias quentes ou durante exercício físico intenso. A recomendação geral de veterinários é evitar exercícios em horários de sol forte e ficar atento a sinais de superaquecimento, como respiração muito ofegante, gengivas arroxeadas e fraqueza.
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Olhos e dobras de pele pedem atenção diária
Os olhos grandes e salientes do Pug, combinados a órbitas oculares rasas, deixam a raça mais vulnerável a traumas — um estudo indexado na PMC aponta risco 13 vezes maior de úlcera de córnea em Pugs do que em outras raças. As dobras de pele ao redor do focinho retêm umidade e sujeira com facilidade: a mesma linha de pesquisa aponta risco 11 vezes maior de dermatite de dobra cutânea na raça, o que exige limpeza regular da região para evitar infecções.
Peso e exercício
A dificuldade respiratória tende a limitar a disposição do Pug para exercícios mais intensos, o que, combinado ao apetite geralmente voraz da raça, aumenta o risco de obesidade — um fator que agrava ainda mais os problemas respiratórios e articulares. Manter o peso sob controle, com orientação veterinária sobre porção e tipo de ração, é uma das medidas mais eficazes para melhorar a qualidade de vida do animal.
Quando procurar um veterinário
Ronco muito intenso, dificuldade visível para respirar mesmo em repouso, secreção ocular incomum, vermelhidão nas dobras de pele ou qualquer sinal de desconforto merecem avaliação veterinária — só um profissional pode diagnosticar a gravidade de cada caso e indicar o tratamento adequado, que em quadros mais graves de BOAS pode incluir cirurgia corretiva.
Fontes: National Center for Biotechnology Information — PMC (ncbi.nlm.nih.gov/pmc); Humane World for Animals (humaneworld.org).
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