Pular para o conteúdo
21 de setembro de 2026

Segurança

Jovem fica paralisada após andar em montanha-russa do Hopi Hari; MP investiga

Júlia Bossoni sofreu hemorragia cerebral e perdeu movimentos após passeio na Montezum; outros casos de lesões graves foram registrados na atração

Por Ana Beatriz Ramos
Montanha Russa no Hopi Hari
Jovem fica paralisada após andar em montanha-russa do Hopi Hari; MP investiga

O Ministério Público de São Paulo abriu investigação para apurar o caso de uma jovem que perdeu parte dos movimentos do corpo após andar na montanha-russa Montezum, no parque Hopi Hari, em Vinhedo, no interior paulista. Outros visitantes relatam ter sofrido fraturas e lesões na mesma atração.

Júlia Bossoni e o namorado João Pedro foram ao parque em abril deste ano. Vindos de Londrina, no Paraná, o casal andou pela primeira vez na Montezum sem problemas. No fim da tarde, usaram uma passagem VIP promocional para um segundo passeio na atração.

Imagens de câmeras de segurança mostram o casal sentando-se nos bancos de trás do carrinho. Na subida, Júlia aparece consciente e tranquila. Dois minutos depois, quando o carrinho retorna à plataforma, ela está desacordada e convulsionando. Após seis minutos, foi colocada em uma maca e removida. A montanha-russa voltou a funcionar logo em seguida.

Continua depois da publicidade

Levada à Santa Casa de Vinhedo, a jovem foi direto para a UTI. Exames revelaram hemorragia intracraniana e edema cerebral grave. Ela passou por cirurgia de emergência para retirada de parte da calota craniana, procedimento necessário para descompressão do cérebro.

Júlia ficou 57 dias internada. O diagnóstico foi traumatismo cranioencefálico causado por mecanismo de contragolpe durante o passeio, segundo laudo médico. De acordo com a família, ela não tinha doenças pré-existentes.

“Ela perdeu o movimento do lado esquerdo completamente. O braço e a perna, ela não movimenta. Ela tem dificuldade de fala, memórias turvas”, relata João Pedro. Cinco meses após o acidente, Júlia passou por sete cirurgias e continua em tratamento de reabilitação com fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

Outros casos de lesões graves

Em 2018, Nathalia Assenjo Motta sofreu deslocamento de vértebras ao andar na mesma montanha-russa. “Conforme a montanha-russa desceu e subiu para fazer a curva, o meu pescoço fez o mecanismo de chicote, deu aquele estalo. Meu corpo desligou totalmente”, conta.

Ela precisou colocar 12 pinos e duas hastes na região cervical. Recuperou os movimentos do corpo três dias depois, mas perdeu a mobilidade do pescoço. O Hopi Hari pagou indenização por danos materiais. Atualmente, ela ainda enfrenta dores intensas e custos com fisioterapia e hidroterapia.

Em 2014, Márcio, um motoboy, ficou tetraplégico após andar na Montezum. Ele morreu em 2023 por complicações de uma infecção urinária. Segundo advogado da família, laudos confirmaram rompimento de duas vértebras e o movimento de chicote como causa da tetraplegia.

Em plataforma de avaliação de consumidores, foram encontrados pelo menos 40 registros nos últimos dois anos de pessoas alegando lesões na Montezum, incluindo dores no pescoço, lesões no joelho e costelas quebradas.

Sobre a atração

A Montezum é a maior montanha-russa de madeira da América Latina. Inaugurada em 1999, tem cerca de 42 metros de altura e atinge velocidade de até 103 km/h em pouco mais de um quilômetro de extensão.

Posição do parque

Em nota, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e que inspeções são feitas anualmente. O parque disse seguir rigorosamente a norma nacional para parques de diversões.

Segundo a assessoria, placas e avisos sonoros alertam sobre restrições, informando que a atração é radical e contraindicada para pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas.

A nota destacou parecer do Ministério Público de São Paulo, de agosto de 2026, que descarta risco coletivo da montanha-russa, emitido após uma mulher ser levada à enfermaria com dores no pescoço em julho.

Sobre Júlia, o parque afirmou que ela recebeu pronto atendimento conforme protocolos de segurança, que acompanhou a internação custeando despesas e que um seguro foi disponibilizado à família.

Sobre os casos de Nathalia e Márcio, a assessoria informou que ocorreram antes de 2019, sob gestão anterior. Quanto às reclamações em sites, o parque considerou os relatos um índice estatístico irrisório diante de mais de um milhão de visitantes no período.

Em janeiro, o parque já havia anunciado reforma na montanha-russa, prevista para o final de 2026.

A família de Júlia entrou na Justiça para exigir perícia que esclareça as circunstâncias do acidente. A investigação do Ministério Público, que pediu perícia policial na montanha-russa, ainda está em andamento.

Participe da conversa

Acesse sua conta Mancheck para comentar.

Entrar